Ribociclibe associado à terapia hormonal mostra benefício de sobrevida em estudo sobre câncer de mama inicial

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Análise de seis anos do estudo NATALEE aponta redução relativa de 19% no risco de morte; os resultados não significam que a combinação seja indicada para todas as pacientes

A combinação de ribociclibe e terapia hormonal foi associada a menor risco de morte entre pacientes com câncer de mama inicial com receptores hormonais positivos e HER2 negativo, segundo resultados do estudo internacional de fase 3 NATALEE apresentados no congresso de 2026 da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), em Madri, na Espanha. Após seis anos de acompanhamento, a associação foi relacionada a uma redução relativa de aproximadamente 19% no risco de óbito em comparação com a terapia hormonal isolada.

O estudo incluiu 5.101 pacientes com tumores nos estágios II e III e características consideradas de maior risco de recorrência. Todas haviam passado por cirurgia e recebido o tratamento indicado para seus quadros. As participantes foram distribuídas aleatoriamente em dois grupos: um recebeu terapia hormonal; o outro, a mesma abordagem associada ao ribociclibe por três anos.

Ao fim de seis anos, 91,9% das pacientes no grupo que recebeu a combinação estavam vivas, ante 89,7% entre aquelas tratadas apenas com terapia hormonal. A diferença entre esses percentuais é de 2,2 pontos percentuais, embora o material de divulgação informe 2,1. Já a redução relativa de 19% se refere ao risco de morte, uma medida distinta da diferença absoluta entre as taxas de sobrevida.

Essa distinção ajuda a interpretar o alcance do resultado. A redução relativa não significa que a sobrevida aumentou 19 pontos percentuais nem que cada paciente terá o mesmo benefício. O efeito esperado pode variar conforme o risco individual, as características do tumor e outras condições clínicas. Sem os dados estatísticos completos da análise, como intervalos de confiança e informações sobre a significância do resultado, não é possível avaliar integralmente a precisão da estimativa.

O NATALEE já havia apontado redução no risco de recorrência com a adição do ribociclibe. Os dados apresentados agora indicam também uma diferença na sobrevida global após seis anos. Raphael Parmeggiani, vice-presidente de Assuntos Científicos em Oncologia da América Latina da CENTOGENE, afirma que os resultados são relevantes porque o benefício observado não se restringiria ao controle da recorrência. Ele ressalta, porém, que a avaliação deve considerar o risco de cada paciente.

Outro dado divulgado diz respeito à permanência livre de eventos invasivos relacionados ao câncer. Após seis anos, essa condição foi observada em 83,2% das pacientes tratadas com ribociclibe e terapia hormonal, ante 77,9% no grupo que recebeu somente terapia hormonal. A diferença absoluta informada é de 5,3 pontos percentuais.

No estudo, o ribociclibe foi administrado por três anos. Na análise mais recente, as participantes estavam em média aproximadamente 38 meses sem utilizar o medicamento. A persistência dos resultados após o término do tratamento é um achado relevante para o acompanhamento de longo prazo, sobretudo porque a recorrência pode ocorrer anos depois do diagnóstico e do tratamento inicial. Os dados divulgados, contudo, não esclarecem por si só os mecanismos que poderiam explicar a continuidade do benefício.

O ribociclibe pertence à classe dos inibidores de CDK4/6, medicamentos que atuam em mecanismos relacionados à multiplicação celular. Na combinação estudada, foi administrado com terapia hormonal, incluindo inibidor da aromatase, que reduz a produção de estrogênio. Em tumores com receptores hormonais positivos, esse hormônio pode estimular o crescimento das células cancerígenas.

A população do NATALEE incluiu pacientes com comprometimento dos linfonodos e determinados casos sem esse comprometimento, mas com outras características associadas a maior risco. Portanto, os resultados não significam que toda pessoa com câncer de mama inicial deva receber ribociclibe. A indicação depende de avaliação individual, que considera o estágio da doença, o risco de recorrência, as características do tumor, as condições clínicas e os possíveis efeitos adversos.

A decisão deve ser tomada pela paciente em conjunto com a equipe de oncologia, após discussão dos benefícios esperados, dos riscos e da duração do tratamento. Estudos clínicos oferecem evidências para orientar a prática, mas não substituem a avaliação médica individual nem garantem resultados idênticos para todas as pessoas.

 

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