Professores de 91 escolas estaduais participam nesta quarta-feira (28) de curso sobre o El Niño e a prevenção de desastres climáticos. O encontro, no Palácio dos Bandeirantes, reúne agentes da Defesa Civil e especialistas das áreas de meio ambiente e educação.
A formação “El Niño: conhecer, preparar e agir” é realizada pela Defesa Civil estadual, pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) e pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). A atividade integra as ações da SP Sempre Alerta – Operação El Niño 2026-2027, lançada pelo Governo de São Paulo neste mês, e aborda estratégias para reduzir riscos de desastres naturais nas escolas.
Entre os temas discutidos estão os planos de contingência escolar, que ajudam a ampliar o conhecimento da comunidade escolar sobre os riscos e as medidas de segurança. A programação também aborda os serviços de proteção social, como o Sistema Único de Assistência Social (Suas), os Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), na preparação, resposta e recuperação diante de emergências.
“Com os eventos climáticos cada vez mais desafiadores, a prevenção precisa ser compreendida como uma responsabilidade de toda a sociedade. Por isso, investir na formação de estudantes e educadores é investir na proteção de vidas. Ao aproximar a Defesa Civil das escolas, fortalecemos a capacidade das comunidades de reconhecer riscos, adotar medidas preventivas e agir com segurança”, afirma o Cel PM Araujo Monteiro, Secretário-Chefe da Casa Militar e Coordenador Estadual de Proteção e Defesa Civil.
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A formação inclui experiências de Educação Ambiental e Educação para a Redução do Risco de Desastres (ERRD), com atividades que envolvem os estudantes na investigação dos territórios e na identificação de situações de risco.
“O percurso formativo ‘El Niño: conhecer, preparar e agir’ é, antes de tudo, uma ação de educação ambiental, e é isso que o torna tão relevante. Ao levar o tema das mudanças climáticas e dos eventos extremos para a sala de aula, a iniciativa avança no fortalecimento de uma educação ambiental que forma cidadãos conscientes, capazes de compreender os riscos ambientais e agir sobre eles”, afirma Lara Costa, diretora de Educação Ambiental da Semil.
Segundo a diretora, o percurso também transforma em ações práticas as diretrizes das políticas nacional e estadual de educação ambiental e do Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática (Pearc). As atividades envolvem prevenção, mitigação e adaptação climática a partir das experiências das escolas paulistas, com estudantes e professores atuando na identificação de riscos e na preparação das comunidades escolares para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.
Este é o terceiro encontro. A primeira etapa de formação ocorreu em 21 de outubro, em atividade on-line transmitida pelo Centro de Mídias da Educação de São Paulo (CMSP) e pelo YouTube. A programação abordou os possíveis efeitos do El Niño, a previsão meteorológica, a comunicação de riscos, a cultura da prevenção, o Currículo Paulista e a proteção integral de crianças e adolescentes.

Na terça-feira (27), 120 estudantes e 12 professores participaram de uma aula prática sobre identificação de riscos, medidas de mitigação e autoproteção diante de eventos extremos. Ao longo de outubro, as escolas estaduais também promovem atividades para levantar os conhecimentos dos alunos sobre o El Niño e as formas de prevenção.
Operação El Niño
A SP Sempre Alerta – Operação El Niño 2026-2027 reúne medidas do Governo de São Paulo para prevenir e responder aos impactos de eventos climáticos extremos. A estratégia substitui a tradicional Operação Chuvas e prevê um gabinete especial para coordenar as ações, níveis de alerta para os municípios e a emissão de boletins diários para orientar a atuação do poder público diante dos riscos de tempestades e ondas de calor.
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A operação integra o Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática (Pearc), que reúne 181 iniciativas e investimentos de R$ 29 bilhões. Nesse conjunto de ações, a formação de professores busca levar às escolas conhecimentos sobre prevenção, autoproteção e redução de riscos, relacionando as políticas de adaptação climática ao cotidiano escolar e ao planejamento pedagógico de 2027.
SEDS apresenta o SUAS e ações da Secretaria
A Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDS) participou, nesta quarta-feira (28), do encontro de formação de professores do percurso “El Niño: conhecer, preparar e agir”, no Palácio dos Bandeirantes. Leonardo Rossatto Queiroz, assessor técnico de gabinete da SEDS, apresentou a estrutura organizacional da Pasta e atribuições da Secretaria em resposta nas emergências. As situações de emergência demandam atuação célere junto às famílias atingidas e isso inclui o apoio imediato do Estado aos municípios. A rede de serviços nos municípios, que atua no cotidiano das famílias, os CRAS, CREAS, escolas, unidades básicas de saúde e outros, precisa estar preparada para atuar no momento do desastre e o Estado tem papel fundamental no repasse de recursos, na orientação sobre o tema aos profissionais dos municípios e no apoio ao município no momento do desastre. É preciso atuar para uma cultura de prevenção em todo o Estado.
“Uma enchente não leva só a casa. Leva o trabalho, os documentos, a rotina da escola. A estrutura que a SEDS mantém todos os dias é a mesma que entra em campo na emergência. O que estamos fazendo agora é sair da resposta e ir para a antecipação”, afirmou Leonardo.
Em 2026, a SEDS repassou R$ 9,63 milhões a 15 municípios em situação de emergência. No Vale do Ribeira, em setembro, foram R$ 3,7 milhões para o atendimento de 5,7 mil pessoas com moradia comprometida em Iguape, Registro, Eldorado, Sete Barras e Iporanga. O Bom Prato levou 3.860 refeições aos locais atingidos neste ano.
Tatiane Magalhães, diretora de Assistência Social, apresentou o papel do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) nas situações de emergência. A política de assistência social é, juntamente com a Defesa Civil, uma das primeiras políticas que chega nos territórios atingidos e atua nas três etapas de uma situação de emergência: na pré-emergência, na emergência e no pós-emergência. Isto é, na preparação, na resposta e na recuperação dos territórios. A Diretora apresentou também o papel da SEDS no apoio aos municípios por meio do repasse de recursos financeiros, para que a rede de assistência social local possa atender as famílias de forma imediata e adequada, e por meio do apoio técnico com outras orientações à gestão municipal. A atuação das DRADS junto aos municípios no momento do desastre é fundamental para que esse apoio do Estado se materialize na região.
A articulação entre as políticas de Assistência Social e de Educação é fundamental para conhecimento das famílias do território e para o seu acompanhamento nas situações de desastre. “A escola e o CRAS são atores centrais do território, cada um atuando na sua atribuição sobre o tema das emergências. Mas se o trabalho em rede entre esses atores já existe no território, a resposta para proteção às famílias numa situação de emergência será mais eficiente e o acompanhamento das famílias no pós- emergência também”, disse Tatiane.
Articulação e Intersetorialidade é um dos seis eixos de atuação do SUAS nas situações de emergência e os serviços devem buscar essa articulação nos territórios para gerar mais proteção social.