‘Do Cavalo Nada Sabemos’ chega ao Teatro FAAP com temporada e rodas de conversa

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Solo de João Paulo Lorenzon, dirigido por Denise Stoklos e Alessandra Maestrini, parte de um episódio atribuído a Nietzsche para investigar violência, natureza e angústia climática

O espetáculo Do Cavalo Nada Sabemos, concebido e interpretado por João Paulo Lorenzon, chega ao Teatro FAAP, em São Paulo, para uma temporada de 28 de outubro a 26 de novembro de 2026. As apresentações estão marcadas para quartas e quintas-feiras, às 20h. A programação divulgada pela produção prevê conversas após sessões, reunindo convidados de áreas como psicanálise, literatura, filosofia e artes.

Dirigido por Denise Stoklos e Alessandra Maestrini, o solo de teatro físico tem dramaturgia de Lorenzon, construída em colaboração com a psicanalista Renata Zambonelli. A obra toma como ponto de partida o episódio associado a Friedrich Nietzsche em Turim, em 1889: ao ver um cavalo sendo agredido por um cocheiro, o filósofo teria abraçado o animal. A peça não se apresenta como reconstituição documental, mas transforma essa imagem em ponto de partida para refletir sobre violência, culpa e desejo de reparação.

A narrativa também se aproxima de questões contemporâneas, entre elas a crise ambiental e a chamada angústia climática. A montagem interroga a separação entre natureza e cultura e examina a posição humana diante de outras formas de vida. Em vez de encerrar-se no niilismo, a proposta procura perceber se, mesmo diante da destrutividade, ainda é possível imaginar uma resposta baseada em consciência e delicadeza.

Em julho de 2026, Lorenzon voltou ao Festival Off de Avignon, na França. Na mesma edição, atuou em Do Cavalo Nada Sabemos e dirigiu Nunca se tem tanta força como quando não se tem força nenhuma, com Julia Setubal, montagem inspirada no universo de Sarah Kane. A participação dupla foi destacada pela imprensa brasileira e pela RFI. Cerca de uma década antes, Lorenzon havia apresentado no festival Nijinsky – Minha Loucura é o Amor da Humanidade, em que interpretava o papel-título.

Após a passagem pela França, o solo teve temporada no Auditório do Sesc Ipiranga, de 18 de setembro a 11 de outubro. Segundo a produção, Luque Daltroso, diretor do Teatro FAAP, assistiu a uma das sessões e convidou a montagem para a nova temporada.

A construção cênica põe o corpo do intérprete no centro do conflito. Lorenzon descreve a técnica como um “corpo cindido”, em que gestos contraditórios coexistem: uma parte agride, enquanto outra tenta impedir a ação. O movimento expõe a violência não apenas como força dirigida ao outro, mas como tensão que também atravessa quem a exerce ou procura contê-la.

O cenário inclui uma estrutura inflável e amorfa, concebida por Dominic Kiessling, que cria um jogo de aproximação e separação entre o corpo do ator e o espaço. Entre as referências de pesquisa estão os filmes O Cavalo de Turim, de Béla Tarr, e EO, de Jerzy Skolimowski, além da literatura de Fiódor Dostoiévski e do pensamento da filósofa e bióloga Donna Haraway. A encenação aproxima essas matrizes sem converter o espetáculo em exposição teórica: a reflexão se articula sobretudo pela presença física e pela experiência sensorial.

A agenda encaminhada pela produção lista seis encontros:

  • 29 de outubro: “Viver com terror e alegria”, com Maria Luiza Gastal, psicanalista da SPBsb. Coordenação de Eduardo São Thiago Martins, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP). O encontro integra a Mostra Decolonial de Arte e Psicanálise (SBPSP/DCC).
  • 5 de novembro: “O ovo e o cavalo”, com Cecília Cavalieri, artista-etc., pesquisadora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de esquizoanalista da ALEA. Coordenação de Gizela Turkiewicz, da SBPSP. A conversa também integra a Mostra Decolonial.
  • 12 de novembro: apresentação do espetáculo seguida de conversa com elenco, direção e psicanalistas. O evento é pago e aberto, organizado pelo Departamento de Formação em Psicanálise do Sedes Sapientiae. Participam os psicanalistas Helgis Cristofaro e Eduardo Lara.
  • 18 de novembro: roda de conversa com Oswaldo Giacoia Junior, filósofo e pesquisador da obra de Nietzsche.
  • 19 de novembro: encontro com o Campo Lacaniano, com Ana Gianesi, psicóloga e psicanalista, e Renata Zambonelli, psiquiatra e psicanalista, coautora da dramaturgia.
  • 26 de novembro, às 20h: conversa com Eliane Robert Moraes, professora de literatura brasileira da Universidade de São Paulo e pesquisadora do CNPq, e Berta Hoffmann Azevedo, psicanalista e docente da SBPSP. Coordenação de Rodrigo Lage Leite, psiquiatra e psicanalista.

Embora a apresentação da agenda informe que quatro sessões serão seguidas de conversa, a lista detalha seis datas. O número de encontros e as condições de acesso devem ser confirmados com o Teatro FAAP. A programação também indica que a atividade de 12 de novembro é paga e aberta; consulte a organização para informações sobre ingressos e participação.

Serviço

Do Cavalo Nada Sabemos
Temporada: 28 de outubro a 26 de novembro de 2026
Sessões: quartas e quintas-feiras, às 20h
Local: Teatro FAAP, Rua Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo
Duração: 50 minutos
Classificação indicativa: 16 anos
Informações e ingressos: faap.br/teatro
Telefone/WhatsApp: (11) 3662-7233

Acompanhe a programação cultural do SP Notícias e consulte os canais oficiais do Teatro FAAP para confirmar horários, debates e disponibilidade de ingressos. O SP Notícias Online apresenta cultura com contexto, clareza e atenção à diversidade de ideias.

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