Sírio- Libanês explica avanço da obesidade infantil no Brasil e seus riscos.

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Hospital Sírio-Libanês

Dados da OMS mostram aumento da prevalência entre crianças e adolescentes e alerta para riscos metabólicos; especialistas defendem mudanças na rotina familiar sem dietas restritivas ou estigmatização

A obesidade infantil é uma questão de saúde que envolve mais do que o peso registrado na balança. Pode estar associada a alterações metabólicas e a outros problemas de saúde, além de afetar o bem-estar emocional e a relação da criança com o próprio corpo. Por isso, especialistas defendem que a prevenção comece cedo, com mudanças sustentáveis na rotina familiar, sem dietas restritivas, cobranças excessivas ou culpabilização.

Dados atribuídos à Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a prevalência de obesidade entre brasileiros de 5 a 19 anos teria passado de 1,6%, em 1980, para 17,4%, em 2024. A organização também cita o Atlas Mundial da Obesidade 2026, da Federação Mundial da Obesidade, segundo o qual cerca de 16,5 milhões de brasileiros nessa faixa etária apresentavam sobrepeso ou obesidade em 2025.

Paula Fábrega, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, afirma que a prevenção exige considerar diferentes dimensões da vida infantil, entre elas alimentação, movimento, sono, fatores genéticos, ambiente familiar e condições socioeconômicas. “Prevenir e tratar precocemente a obesidade infantil não significa colocar a criança em uma dieta restritiva ou fazê-la se preocupar com o peso. Significa criar, em família, um ambiente que favoreça uma alimentação equilibrada, movimento, sono adequado e uma relação saudável com o próprio corpo e com a comida”, diz.

A qualidade da alimentação cotidiana também merece atenção. Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2026 reuniu 23 estudos, com aproximadamente 155 mil adolescentes, e encontrou associação entre maior consumo de alimentos ultraprocessados e maior ocorrência de sobrepeso ou obesidade. Na comparação entre grupos com consumo mais alto e mais baixo, os pesquisadores observaram 63% maiores chances de sobrepeso ou obesidade no grupo de maior ingestão.

A interpretação também não deve transformar alimentos específicos em culpados. Uma sobremesa, um chocolate ou uma refeição especial não determinam, por si só, o peso de uma criança. O padrão alimentar ao longo do tempo e o contexto em que as escolhas são feitas são mais relevantes. “Doces e outros alimentos não precisam ser tratados como proibidos, mas devem fazer parte de uma alimentação equilibrada e não ser utilizados como recompensa por bom comportamento”, afirma Fábrega.

Uma rotina alimentar pode priorizar frutas, verduras, legumes, feijão, ovos e outros alimentos in natura ou minimamente processados. A participação dos adultos é importante para que a mudança não seja percebida como uma punição dirigida apenas à criança. Planejar refeições, oferecer opções variadas e compartilhar hábitos saudáveis pode tornar o cuidado mais consistente e menos associado à restrição.

Movimento e sono também fazem parte dessa abordagem. A atividade física pode ser incorporada por meio de brincadeiras, caminhadas, bicicleta, dança e jogos, sem exigir que toda criança pratique esporte competitivo. A OMS recomenda uma média de pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada e vigorosa para crianças e adolescentes de 5 a 17 anos. Horários regulares para dormir e oportunidades para reduzir períodos sedentários também podem contribuir para uma rotina mais saudável.

A endocrinologista ressalta que crianças aprendem observando os adultos. “Mudanças que envolvem toda a família costumam ser mais sustentáveis”, afirma. Essa perspectiva ajuda a evitar que a prevenção se transforme em vigilância permanente do corpo infantil e favorece a construção de hábitos compartilhados.

A avaliação do excesso de peso em crianças não deve depender apenas da aparência ou de um número isolado na balança. O índice de massa corporal (IMC) é interpretado de forma diferente da avaliação em adultos: idade e sexo são considerados, assim como a evolução do crescimento e do desenvolvimento. Consultas pediátricas permitem analisar esses dados, os hábitos de vida e o histórico familiar, além de identificar quando pode ser necessário investigar alterações metabólicas ou envolver profissionais de outras áreas.

O cuidado precisa ser conduzido sem comentários depreciativos sobre o corpo. O estigma relacionado ao peso pode afetar a autoestima, as relações sociais e a maneira como crianças e adolescentes se relacionam com a alimentação. “O objetivo é ensinar a criança a cuidar de si, e não fazê-la sentir vergonha do próprio corpo”, afirma Fábrega. A especialista recomenda que as orientações sejam adequadas à idade e à realidade de cada família, com acompanhamento profissional quando necessário.

Saiba mais: https://hospitalsiriolibanes.org.br/

 

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