Conectada à criação da Semana Nacional do Esporte, a agenda de saúde pública começa a incorporar, de forma mais explícita, a prática de atividade física como pilar da prevenção. Iniciativas como a corrida “Com o SUS o Brasil vive mais”, programada para Brasília e outras capitais ao longo do ano, traduzem em linguagem popular a mensagem que epidemiologistas repetem há décadas: mover‑se é terapia barata, eficaz e acessível.
Nesse modelo, secretarias de saúde e de esporte cooperam para levar às ruas eventos que combinam corridas e caminhadas com aferição de pressão, testes rápidos, vacinação e orientação nutricional. O objetivo não é apenas promover um dia de atividade intensa, mas criar um gatilho simbólico para que participantes incorporem hábitos mais ativos ao cotidiano. Ao vincular o lema “o SUS faz o Brasil viver mais” à imagem de corpos em movimento, a política tenta reposicionar o sistema público não apenas como reparador de danos, mas como promotor de saúde integral.
O desafio é fazer com que essas ações não se limitem às capitais e não sejam episódicas. Municípios pequenos, com pouca estrutura de lazer, também precisam ser alcançados – e, muitas vezes, são os que mais se beneficiariam de programas de atividade física coordenados, dada a prevalência de doenças crônicas e a carência de equipamentos. Para isso, será indispensável que recursos federais e estaduais para a Semana Nacional do Esporte e para eventos associados cheguem à ponta, com critérios claros e fiscalização atenta.
Ainda assim, o movimento em curso representa avanço conceitual. Ele reconhece que saúde não se resume a leitos, remédios e exames, mas envolve ambiente urbano, cultura corporal, tempo livre e acesso a espaços seguros de convivência. Em uma época em que telas competem com ruas por atenção e seduzem crianças e adolescentes com horas diárias de imobilidade, recolocar o corpo em cena é gesto político de primeira ordem.
SP Notícias – Intellectus ex veritate