O Palmeiras voltou a confirmar, na noite desta quarta-feira, a consistência que distingue o clube alviverde como o projeto de gestão mais sustentável do futebol brasileiro na última década. Em Londrina, em partida disputada no Estádio do Café diante de uma torcida que compareceu em número expressivo para empurrar o adversário e dificultar a missão do visitante, o Palmeiras aplicou uma goleada que não apenas garantiu a classificação para a fase seguinte da competição, mas o fez com a desenvoltura de quem tem, no coletivo bem azeitado, uma vantagem sobre o adversário que a diferença de qualidade individual por si só não explica inteiramente.
A trajetória do Palmeiras nos últimos nove anos é um estudo de caso sobre como a combinação entre gestão administrativa profissional, parceria comercial sólida, política de contratações coerente com o projeto esportivo e estabilidade no comando técnico pode transformar um clube historicamente oscilante em uma potência continental. A parceria com a empresa Crefisa, que desde 2015 financia de forma substancial o futebol profissional do clube, foi o primeiro pilar dessa transformação, pois permitiu ao Palmeiras sair de uma situação de crise financeira aguda para uma posição de capacidade de investimento sem paralelo no futebol brasileiro. O segundo pilar foi a construção do Allianz Parque, inaugurado em 2014, estádio que gerou receitas de naming rights, partidas e eventos que colocaram o clube em uma classe diferente de capacidade de geração de caixa próprio.
A solidez do modelo palmeirense é evidenciada por um dado que os defensores do clube gostam de citar e que os adversários preferem não confrontar: em quase dez anos de parceria comercial e gestão profissional, o Palmeiras conquistou mais títulos do que seus rivais históricos Corinthians, Santos e São Paulo somados no mesmo período. Dois títulos da Copa Libertadores da América (2020 e 2021), quatro títulos do Campeonato Brasileiro (2016, 2018, 2022 e 2023) e outros torneios regionais compõem um acervo recente que, no contexto da história do futebol brasileiro, só encontra paralelo nos grandes ciclos vitoriosos do Santos de Pelé nos anos 1960 e do próprio Palmeiras das décadas de 1990 e início dos anos 2000.
A goleada em Londrina é, em sua dimensão imediata, apenas mais uma vitória em uma competição cujo primeiro turno ainda não está concluído. Mas ela é também o reflexo de uma decisão técnica tomada pelo treinador Abel Ferreira, que mantém sua filosofia de jogo mesmo em partidas fora de casa contra adversários inferiores: o Palmeiras prefere controlar o jogo com a bola, criar superioridades numéricas nos meios e finalizar com frequência em vez de administrar a vantagem com a cautela defensiva que outros treinadores adotariam em um cenário similar. É uma filosofia que tem custo em termos de desgaste físico, mas que constrói consistência de desempenho que os adversários, mesmo os tecnicamente superiores, têm dificuldade de neutralizar quando o coletivo palmeirense funciona no seu melhor nível.
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