A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Parque Novo Mundo, na cidade de São Paulo, recebeu investimentos em tecnologias que contribuirão com a ampliação do tratamento em 148% – de 2,5 milhões para 6,2 milhões de litros por segundo. Com novos equipamentos e processos, a ETE, inaugurada há 28 anos, poderá crescer sem aumentar a área de 190 mil metros quadrados que ocupa na zona norte de São Paulo, uma das mais adensadas da capital.
A melhoria faz parte do Programa IntegraTietê, iniciativa do Governo de São Paulo voltada à recuperação do Rio Tietê e de seus afluentes e que reúne um conjunto de obras para revitalização do principal rio paulista ao longo de seus 1.100 km. Dentro do projeto, a Sabesp, que foi desestatizada pelo Governo de SP em 2024, é responsável pela universalização da coleta e tratamento de esgoto nas cidades onde atua, nas áreas ao redor do Tietê e seus afluentes.
Na capital e Grande São Paulo estão sendo executados 42 conjuntos de obras lineares, que incluem a instalação de novas tubulações, estações de bombeamento e a ampliação de 6 Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), como a ETE Parque Novo Mundo. Somente ela, está recebendo aporte de R$ 1 bilhão em ampliação e modernização. A previsão de entrega é primeiro semestre de 2027.
O incremento na capacidade da ETE Parque Novo Mundo vai beneficiar diretamente diversos bairros das zonas norte e leste da cidade, além da população de municípios vizinhos, como Guarulhos, que só perde para São Paulo no ranking de regiões mais populosas do estado. O emprego das inovações tecnológicas permitirá o tratamento do esgoto gerado por, aproximadamente, 2,9 milhões de pessoas – cerca de 1,7 milhão a mais do que é processado hoje na estação.
São duas inovações tecnológicas principais:
Pré-tratamento mais eficiente – A primeira inovação veio da Alemanha. São 76 toneladas de equipamentos que vão aprimorar o pré-tratamento mecânico, uma das etapas mais importantes no tratamento de esgoto. Essa fase é responsável por receber grandes volumes de vazão, além de areia, resíduos sólidos, gordura e materiais flutuantes que chegam à estação antes das etapas biológicas e de decantação.
Com a modernização, o sistema amplia a capacidade de remoção de sólidos grosseiros, como plásticos, panos, fibras e outros resíduos suspensos, reduzindo o risco de entupimentos em bombas e tubulações, além do desgaste e bloqueios de equipamentos que podem comprometer o funcionamento das etapas seguintes do tratamento.
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Outro avanço está na separação de areia e materiais minerais, que passam a ser retirados ainda no início do processo. Essa medida ajuda a evitar o acúmulo em canais, tanques e tubulações, além de reduzir a abrasão em bombas e componentes mecânicos, aumentando a estabilidade operacional da estação. “O resultado é uma operação mais estável, com menor necessidade de manutenção e maior proteção das etapas seguintes do tratamento”, afirma Guilherme Paixão, diretor de Empreendimentos de Esgoto da Região Metropolitana de São Paulo.
Lodo granular aeróbio – A segunda novidade é a tecnologia de tratamento de esgoto com lodo granular aeróbio, uma solução de última geração dentro do tratamento biológico de efluentes, especialmente por reunir alta eficiência, menor ocupação de área e operação mais integrada. A inovação – conhecida pelo nome comercial “Nereda” – foi desenvolvida na Holanda pela Universidade de Tecnologia de Delft.
Em vez de usar o “lodo ativado” comum, formado por flocos leves e dispersos, o processo cria pequenos grânulos biológicos densos e compactos. Esses grânulos são colônias de microrganismos que se auto-organizam em esferas, degradam matéria orgânica, removem amônia, nitrogênio e fósforo, e sedimentam rapidamente no fundo do tanque.
Enquanto no sistema tradicional geralmente são necessários tanques separados para aeração e decantação, recirculação de lodo e maior área física, com o lodo granular aeróbio os grânulos sedimentam muito rápido – não é preciso decantador secundário separado, o consumo energético é menor e a produção de lodo, resíduo do tratamento, também é reduzida.
Investimento em saneamento
A expansão dos serviços ocorre em meio ao aumento dos investimentos da Sabesp. Em 2025, foram R$ 15,2 bilhões aplicados pela companhia, valor 120% maior em comparação ao ano anterior. Os investimentos têm como foco a ampliação da cobertura de saneamento e a melhoria dos padrões de qualidade dos serviços.
A coleta e o tratamento de esgoto chegaram a mais de 4,3 milhões de pessoas com a expansão de ligações da Sabesp. O cumprimento das metas de acesso à água, coleta e tratamento de esgoto alcançaram, respectivamente, 87%, 77% e 71% ao fim do primeiro trimestre de 2026.
Na Rota da Água
O Governo de São Paulo acompanha os avanços no saneamento por meio do Na Rota da Água. A iniciativa dá mais visibilidade às obras de segurança hídrica, reforço de abastecimento e universalização do saneamento nas cidades atendidas pela companhia.
O programa prevê uma série de entregas e visitas técnicas a mais de 1,1 mil frentes de obras em andamento nos municípios contemplados pelo novo contrato da Sabesp.
Entre as entregas já realizadas, estão obras de saneamento em Itapecerica da Serra, Embu das Artes e Embu-Guaçu. Além disso, há duas novas Estações de Tratamento de Esgoto em Caieiras e Franco da Rocha e um Sistema de Expansão de Esgotamento Sanitário que também contempla Francisco Morato, na Grande São Paulo.
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