Etapa do Festival MusiCASA reúne 80 adolescentes da capital paulista e da Baixada Santista em apresentações que valorizaram a diversidade cultural do Nordeste
No Dia do Nordestino, celebrado nesta quinta-feira (8/10), a cultura e a música da região ganharam novas interpretações no palco do Sesc 24 de Maio, em São Paulo. Durante a penúltima etapa da 11ª edição do Festival de Música da Fundação CASA, o MusiCASA, 80 adolescentes de dez centros socioeducativos da capital e da Baixada Santista apresentaram repertórios inspirados em ritmos, artistas e manifestações que fazem parte da identidade cultural brasileira.
Com o tema “Nordeste Brasileiro”, a edição deste ano passou pelo baião, xote, frevo e maracatu, além de propostas que aproximaram referências nordestinas do pop, da música latina e de outros gêneros. A programação também contou com coral, percussão, camerata de violões, arranjos coletivos e composição autoral.
Baixada Santista
A programação começou com o grupo Música Importa, formado por adolescentes do CASA Peruíbe, que interpretou “Ai Que Saudade D’ocê”, canção conhecida na voz de Elba Ramalho. Na sequência, os Boys Banda, do CASA Mongaguá, participaram com uma camerata de violões que executou “La Belle de Jour”, de Alceu Valença.
Do CASA Vila de São Vicente, os adolescentes apresentaram arranjos instrumentais que aproximaram a música nordestina do pop internacional. O repertório reuniu “Numa Sala de Reboco”, de Luiz Gonzaga, e “La Isla Bonita”, de Madonna.
Os Praianos do Sertão, do CASA Guarujá, combinaram elementos do baião com referências do pop e da música latina. A proposta trouxe uma leitura que aproximou a sonoridade nordestina de diferentes influências musicais, com destaque para “Qui Nem Jiló”, de Luiz Gonzaga.
Capital Paulista
O grupo de percussão do CASA Itaquera explorou o ritmo como forma de expressão e interação. O repertório incluiu “Eu Tenho a Senha”, de João Gomes, e “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, aproximando os adolescentes de referências de diferentes gerações da música nordestina.
O CASA Topázio apresentou um repertório dedicado ao maracatu de baque virado, também conhecido como maracatu nação. A programação incluiu a composição autoral “Tempo de Recomeçar”, que aborda reflexão, família e reconstrução de trajetórias. Na sequência, o coral apresentou um medley com “Vem Morena”, “Morena Tropicana”, “Meu Cenário” e “Sala de Reboco”, em homenagem a Luiz Gonzaga, Alceu Valença e Petrúcio Amorim.
O coral do CASA Vila Guilherme participou com o medley “Pensando em Namorar”, formado por canções de Luiz Gonzaga, com arranjo de Cezar Elbert e adaptação de Thiago Sivila.
As Meninas da Chiquinha, do CASA Chiquinha Gonzaga, apresentaram um medley de músicas nordestinas em arranjo coletivo, explorando diferentes ritmos, entre eles baião, xote, frevo e maracatu.
Na sequência, o coral do CASA Governador Mário Covas interpretou “Cancioneiro de Lampião”, de Marlos Nobre, com adaptação de Thiago Sivila. A obra, escrita para coro a cappella, é inspirada no folclore do Nordeste e reúne referências ao universo de Lampião e da cultura popular nordestina.
Encerrando a programação, o CASA Rio Tâmisa apresentou a “Pequena Cantata Nordestina”, obra criada especialmente para a edição deste ano do MusiCASA. A composição percorre temas como trabalho, fé, festas, histórias e memória, valorizando diferentes aspectos da cultura da região.
As apresentações foram preparadas ao longo das atividades desenvolvidas nos centros socioeducativos, com acompanhamento dos servidores das unidades e de educadores do Guri, programa de educação musical do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, gerido pela Santa Marcelina Cultura.
Para o secretário de Estado da Justiça e Cidadania, Arthur Lima, o MusiCASA representa uma oportunidade de expressão e de construção de novas perspectivas para os adolescentes. “São Paulo é um Brasil que acolhe todos, e essa edição do MusiCASA celebra essa diversidade. A música tem uma capacidade extraordinária de chegar onde as palavras não conseguem e, ao falar do Nordeste, nos conecta com nossas raízes e com quem somos. Cada apresentação do MusiCASA representa dedicação, superação e novos talentos. O Governo de São Paulo acredita em vocês e sabe que a música pode abrir caminhos, ressignificar trajetórias e representar um novo recomeço”, afirmou Arthur na abertura.
O evento também contou com a presença do secretário-executivo da Justiça e Cidadania, Fraide Sales; do secretário de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa; do presidente da Fundação CASA, Acacio Miranda; da supervisora de Formação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Nina Loriani; da diretora de Difusão, Formação e Leitura da Secretaria de Estado da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Jenipher Queiroz, representando a secretária Marília Marton; do diretor artístico-pedagógico da Santa Marcelina Cultura, Paulo Zuben; da gerente-adjunta do Sesc 24 de Maio, Ioná Damiana de Souza; e do gerente de Arte e Cultura da Fundação CASA, Wellington Araújo, entre outras autoridades das instituições envolvidas.
Acacio Miranda destacou o significado das comemorações deste ano e o papel dos servidores na realização do festival. “Este é um ano especialmente simbólico. O Sesc celebra 80 anos, o Guri completa 30 anos de atuação nos nossos centros socioeducativos e a Fundação CASA marca 20 anos da transformação da antiga Febem. Não foi apenas uma mudança de nome, mas uma transformação na forma de compreender e fazer a socioeducação. Ao longo das etapas regionais do MusiCASA, vimos adolescentes fortalecerem a autoestima, ampliarem o autoconhecimento e descobrirem novas possibilidades por meio da música. Projetos como este mostram que o que pode transformar uma trajetória são as oportunidades que oferecemos e a forma como acreditamos no potencial de cada adolescente. Tudo isso só é possível graças ao trabalho dos nossos servidores, que fazem a Fundação CASA acontecer todos os dias”, afirmou.
Em 2026, cerca de 400 adolescentes de 49 centros de internação da instituição participam do festival . As atividades são realizadas de forma regionalizada em sete unidades do Sesc no Estado de São Paulo. A programação começou em Santo Amaro e passou por Sorocaba, São José do Rio Preto e Araraquara. Após a etapa do Sesc 24 de Maio, a última apresentação será realizada em 20 de outubro, em Bauru.
Criado em 2014, o MusiCASA é realizado anualmente pela Fundação CASA, por meio da Gerência de Arte e Cultura (GAC), e reúne adolescentes de diferentes centros em trabalhos preparados ao longo do período que antecede o festival. A iniciativa combina formação musical, expressão artística e convivência, permitindo que os participantes ocupem o palco como protagonistas.
Nordeste Brasileiro
A edição de 2026 convida os adolescentes a conhecer e explorar a diversidade cultural e musical do Nordeste, reunindo referências tradicionais e contemporâneas. Entre os artistas que inspiraram os trabalhos estão Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Alceu Valença, Elba Ramalho, Maria Bethânia, Chico Science, Lenine, Zeca Baleiro, Chico César, João Gomes e Hermeto Pascoal.
A escolha do tema também destaca a contribuição histórica e cultural do Nordeste para a formação do Brasil. Música, literatura, culinária, festas populares, artes visuais e tradições religiosas são algumas das manifestações que ajudaram a construir a identidade brasileira e influenciaram diferentes gerações.
Sobre a Fundação CASA
A Fundação CASA, vinculada à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania, aplica medidas socioeducativas conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Atendendo jovens de 12 a 21 anos incompletos em São Paulo, a Fundação executa medidas de privação de liberdade e semiliberdade, determinadas pelo Poder Judiciário, garantindo os direitos previstos em lei, pautando-se na humanização, e contribuindo para o retorno do adolescente ao convívio social. Mais informações em: https://fundacaocasa.sp.gov.br/.