
ACNUR e OIM alertam que estoques reduzidos e falta de financiamento ameaçam a assistência a deslocados e famílias que retornaram a áreas devastadas pelo conflito
Milhões de pessoas no Sudão que deixaram suas casas por causa do conflito correm o risco de ficar sem abrigo emergencial e itens básicos para o lar. O alerta do Alto-Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e da Organização Internacional para as Migrações (OIM) aponta que a escassez de recursos limita a assistência, enquanto os estoques de emergência se aproximam de níveis críticos.
Segundo os dados divulgados pelas agências, cerca de 15,4 milhões de pessoas no país precisam de abrigo emergencial e artigos domésticos essenciais. Até o momento, 936 mil teriam recebido apoio, aproximadamente 6% desse total. Com os recursos disponíveis, as organizações dizem conseguir priorizar apenas 10% das pessoas em necessidade.
A falta de itens como materiais para abrigo e utensílios domésticos pode deixar famílias expostas às condições climáticas, à insegurança e a riscos de violência e exploração. Entre as pessoas afetadas estão famílias que retornaram a suas regiões de origem e encontraram casas, infraestrutura e serviços destruídos ou danificados.
Mais de três anos após o início do conflito, o Sudão continua entre as maiores crises de deslocamento do mundo. O comunicado estima que 8,6 milhões de pessoas estejam deslocadas dentro do país, enquanto mais de 4,6 milhões tenham fugido para nações vizinhas. Também informa que mais de 5,2 milhões retornaram às áreas de origem, incluindo pessoas anteriormente deslocadas no próprio Sudão e refugiados que voltaram de países próximos.
As cifras refletem diferentes movimentos populacionais: deslocamento dentro do país, fuga através das fronteiras e retorno. Voltar à região de origem, porém, não significa necessariamente encontrar condições para reconstruir a vida. Muitas famílias chegam a comunidades onde faltam moradias habitáveis, serviços essenciais e meios de subsistência. Em setembro, a ONU News relatou que o país tinha 8,6 milhões de deslocados internos e cerca de 4,9 milhões de retornados, dados que também evidenciavam a pressão sobre abrigos informais e famílias anfitriãs.
Para quem foi forçado a fugir repetidas vezes, um lugar seguro para dormir e itens básicos representam mais do que assistência material: podem contribuir para a segurança e a dignidade, sobretudo de mulheres, crianças e outras pessoas em situação de maior vulnerabilidade. Para famílias que retornam, o apoio com abrigo pode ser uma das primeiras condições para iniciar a reconstrução.
A resposta humanitária enfrenta obstáculos que vão além da falta de recursos. A continuidade dos confrontos, a insegurança e ataques com drones provocam novos deslocamentos e restringem a circulação de equipes. A infraestrutura danificada e as dificuldades logísticas também tornam mais complexo transportar e armazenar suprimentos em áreas prioritárias.
O Plano de Necessidades Humanitárias e Resposta do Sudão para 2026 requer US$ 2,9 bilhões para prestar assistência a 20,4 milhões de pessoas. O país tem 33,7 milhões de habitantes que necessitam de ajuda humanitária, segundo o comunicado. Até a divulgação do alerta, o plano havia recebido cerca de 47% do financiamento solicitado. A falta de recursos obriga organizações a reduzir serviços e concentrar esforços nas necessidades consideradas mais urgentes.
Alertas anteriores já indicavam que o subfinanciamento poderia comprometer o transporte de ajuda e reduzir a disponibilidade de itens essenciais. Em setembro, a OIM afirmou que, sem novas contribuições, parte dos estoques de emergência poderia se esgotar até o fim daquele mês. Em outro comunicado, o ACNUR alertou que cortes de financiamento colocavam milhões de pessoas deslocadas em risco de perder acesso a assistência e proteção.
O ACNUR e a OIM afirmam que trabalham com organizações locais e outros parceiros para manter cadeias de suprimentos compartilhadas, preparar estoques em áreas prioritárias e entregar ajuda onde as necessidades são maiores. As agências ressaltam, porém, que a continuidade dessas operações depende de financiamento previsível e flexível, capaz de responder às mudanças no terreno e às necessidades emergenciais.
Sem recursos adicionais, os efeitos da escassez podem se agravar para famílias que já perderam casas, renda e segurança. O apelo das organizações é por financiamento que permita manter a assistência a quem foge da violência e a quem tenta reconstruir a vida após retornar.
Para doar para emergência no Sudão, acesse: http://acnur.org/br/emergencias/sudao
Acompanhe o SP Notícias para mais reportagens sobre crises humanitárias, deslocamentos e respostas internacionais, com atenção às fontes, aos dados e ao contexto. O SP Notícias Online é um jornal com estilo editorial próprio, caracterizado pela elegância da apresentação e pelo compromisso com a clareza.
SP Notícias – Intellectus ex veritate