Livro de Luciana Sarkozy propõe diálogo entre psicanálise e pesquisa sobre TDAH infantil

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Obra baseada em pesquisa de doutorado examina a contribuição da teoria de Winnicott para compreender comportamentos associados ao transtorno; lançamento será em 14 de novembro, na Livraria da Vila, em São Paulo

Como compreender a agitação, a impulsividade e as dificuldades de concentração na infância sem reduzir a experiência de uma criança a um conjunto de sintomas? Essa pergunta orienta o livro TDAH em crianças: contribuições da psicanálise de Winnicott, da psicanalista Luciana Sarkozy, publicado pela Editora Blucher. A obra, baseada em sua pesquisa de doutorado em Psicologia Clínica pela PUC-SP, será lançada em 14 de novembro, às 10h30, na Livraria da Vila, na rua Fradique Coutinho, 915, na Vila Madalena.

Com 408 páginas distribuídas em oito capítulos, o livro discute causas, diagnóstico e tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) a partir das contribuições de Donald W. Winnicott (1896–1971), pediatra, psiquiatra infantil e psicanalista britânico. A autora aproxima conceitos da psicanálise de debates sobre genética, epigenética e neurobiologia e defende que comportamentos semelhantes podem ter diferentes significados e exigir avaliações individualizadas.

A perspectiva apresentada na obra não elimina a importância do diagnóstico nem propõe substituir conhecimentos da medicina e da neurociência por uma explicação exclusivamente ambiental. O TDAH é compreendido atualmente como um transtorno do neurodesenvolvimento, e sua avaliação exige considerar o conjunto dos sintomas, sua persistência, o impacto na vida da criança e os diferentes contextos em que ela está inserida. Agitação ou desatenção, isoladamente, não bastam para estabelecer um diagnóstico.

O livro questiona, porém, o que considera uma associação automática entre determinados comportamentos, um diagnóstico e a prescrição de medicamentos. Sarkozy propõe que profissionais também investiguem a história da criança, suas relações e as condições em que se desenvolve. Na abordagem winnicottiana, o ambiente de cuidado tem importância para o amadurecimento emocional; essa perspectiva, no entanto, não deve ser confundida com a atribuição de culpa às famílias nem com a ideia de que o contexto, por si só, explique o TDAH.

A pesquisa analisou nove casos clínicos descritos por Winnicott. Segundo a autora, eles permitem observar situações distintas que podem estar por trás de comportamentos semelhantes aos hoje associados ao transtorno. O recorte é apresentado como parte de uma reflexão teórica e clínica, não como estudo capaz de determinar a origem do TDAH na população ou de estabelecer conclusões gerais sobre diagnóstico e tratamento.

“Nessa perspectiva, a pergunta deixa de ser apenas ‘qual transtorno essa criança tem?’ e passa a incluir outra investigação fundamental: ‘o que essa criança pode estar expressando por meio desse comportamento?’”, afirma Sarkozy. A mudança de foco, segundo a autora, não significa descartar a biologia ou o diagnóstico, mas ampliar a escuta e evitar conclusões apressadas.

Essa distinção é relevante porque o cuidado em saúde mental infantil envolve avaliação profissional e atenção às necessidades de cada criança. A medicação pode ser considerada em determinados casos, conforme indicação clínica, mas decisões sobre tratamento devem ser discutidas com profissionais qualificados e responsáveis. A obra apresenta uma reflexão crítica sobre a medicalização, sem que isso deva ser interpretado como recomendação para interromper ou evitar tratamentos prescritos.

A autora também destaca a participação dos adultos no acompanhamento. Em vez de buscar uma solução que simplesmente “conserte” a criança, o livro propõe envolver a família no processo terapêutico e reconhecer as dificuldades que podem afetar cuidadores. Sarkozy chama atenção, em particular, para mães frequentemente sobrecarregadas e para a importância de que os pais participem ativamente do cuidado. A abordagem busca evitar tanto a redução da criança a um diagnóstico quanto a responsabilização de familiares por suas dificuldades.

O lançamento terá um bate-papo com a autora e os psicanalistas Alfredo Naffah Neto, orientador acadêmico de sua tese, e Alexandre Patricio de Almeida, que assina o posfácio. Almeida é mestre e doutor em Psicologia Clínica pela PUC-SP e membro da International Winnicott Association (IWA).

Doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP e mestre em Psicologia pela Benedictine University, em Illinois, nos Estados Unidos, Luciana Sarkozy é professora de psicanálise do Instituto Brasileiro de Psicanálise Winnicottiana (IBPW/IWA). Atua como psicanalista e supervisora em consultório particular. Winnicott, cuja obra fundamenta a reflexão do livro, desenvolveu uma teoria do amadurecimento humano que enfatiza o papel das relações de cuidado e do ambiente no desenvolvimento emocional.

O livro está disponível no site da Editora Blucher, na Amazon e em livrarias físicas, com preço sugerido de R$ 165. A capa foi criada por Clara Bontempi Gouveia Sarkozy, filha da autora e estudante de Arquitetura em Munique, na Alemanha.

A obra propõe ampliar a conversa sobre saúde mental infantil ao reunir uma perspectiva psicanalítica e questões ligadas à avaliação e ao cuidado, sem oferecer uma explicação única para experiências diversas.

Serviço:

Lançamento livro: TDAH em crianças: contribuições da psicanálise de Winnicott, Editora Blucher

Autora: a psicanalista Luciana Sarkozy

Lançamento: 14 de novembro, às 10h30, na Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, 915, na Vila Madalena/SP).

No lançamento terá um bate papo com a presença da autora e dos psicanalistas Alfredo Naffah Neto e Alexandre Patricio de Almeida.

 

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