A desestatização da Sabesp, realizada pelo Governo de São Paulo em agosto de 2024, permitiu ampliar o volume de investimentos em saneamento básico para antecipar a universalização dos serviços de água e esgoto no estado. A previsão é que a companhia invista, nos próximos anos, uma média de R$ 369 por habitante, valor quase três vezes mais do que a foi a média nacional de investimentos em saneamento em 2024, R$ 137,02 por habitante, segundo o Ranking do Saneamento 2026 do Instituto Trata Brasil.
O montante também supera o investimento médio de R$ 225 por habitante apontado como necessário para garantir a universalização dos serviços até 2033. Entre 2017 e 2024, antes da desestatização, a Sabesp investiu, em média, R$ 171 por habitante. Com o novo ciclo de aportes, o valor previsto praticamente dobra em relação ao período anterior e viabiliza a antecipação das metas de universalização para 2029.
“São Paulo está passando por uma revolução no saneamento básico. Vamos investir R$ 70 bilhões até 2029. São ações que fortalecem a proteção dos recursos hídricos, reduzem a poluição, melhoram a qualidade de vida das pessoas e promovem desenvolvimento sustentável em todas as regiões do estado”, afirmou o governador Tarcísio de Freitas.
A ampliação dos investimentos está inserida em uma política mais ampla de expansão da infraestrutura de saneamento no estado. O Plano Regional de Saneamento Básico prevê R$ 260 bilhões em investimentos até 2060 pela Sabesp. Desse total, R$ 70 bilhões serão aplicados até 2029 para ampliar o acesso à água potável, à coleta e ao tratamento de esgoto nos municípios atendidos pela companhia.
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Os resultados desse novo ciclo de investimentos já começaram a aparecer. O Estado de São Paulo recebeu em 2025 o maior investimento da história para ampliar o acesso da população à água e esgoto tratado. Foram R$ 15,2 bilhões aplicados pela Sabesp, valor 120% superior aos R$ 6,9 bilhões do ano anterior, quando a Sabesp ainda não havia sido desestatizada.
“Os investimentos representam um avanço para garantir o acesso universal à água e ao saneamento em São Paulo”, disse a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de SP, Natália Resende. Balanço apresentado pela Sabesp sobre o primeiro trimestre mostra que as metas previstas para o período de 2024 a 2026 já atingem 87% para abastecimento de água, 77% para coleta de esgoto e 71% para tratamento de esgoto.

Melhora na qualidade de vida
Quem vive em áreas com acesso adequado à água tratada e coleta de esgoto pode chegar a ter renda até duas vezes maior do que a de moradores de regiões sem saneamento. O impacto também aparece na saúde, na produtividade do trabalho, na valorização dos imóveis e no fortalecimento da economia local, mostra pesquisa realizada pelo Instituto Trata Brasil.
Isso acontece porque a ampliação do acesso à água tratada e ao esgoto reduz afastamentos por doenças, melhora as condições de trabalho e amplia a capacidade produtiva da população. Os efeitos também alcançam áreas como educação, turismo e mercado imobiliário.
De acordo com o instituto, a universalização do saneamento pode gerar mais de R$ 1,4 trilhão em benefícios socioeconômicos para todo o Brasil até 2040. Descontados os custos necessários para a expansão da infraestrutura, os ganhos líquidos estimados superam R$ 815 bilhões entre 2021 e 2040.
Água tratada na torneira depois de 40 anos de espera
A professora Maria Helena da Silva, 58 anos, foi a primeira moradora da Vila São Francisco, em Poá, a receber em sua residência a água tratada da Sabesp, após cerca de quatro décadas de espera dos moradores do bairro. “Meu pai vive aqui há quase 30 anos com minha madrasta, então praticamente passei boa parte da minha vida aqui e conheço bem as dificuldades que todos enfrentavam sem água e esgoto”, disse.
Assim como seus familiares e vizinhos, ela também carregou muitos baldes de água para poder cozinhar, tomar banho e lavar roupa. “Antigamente, a água que chegava aqui vinha por uma mangueira clandestina, mas a água chegava sem força, era só um fio, e demorava 2 horas para encher uma garrafa”
Segundo Maria Helena, quando começaram as obras no bairro, ninguém acreditou que a água encanada chegaria às torneiras dos moradores. “Quase não acreditei quando chegou, foi um sentimento de conquista para todos nós, após tantos anos”, afirmou a moradora.
A professora contou que o simples fato de ter água encanada mudou toda a rotina da família. “Agora temos banho quente, água de qualidade para beber, cozinhar, lavar roupa, vida normal, como qualquer outro bairro de Poá. E com a chegada do esgoto vai melhorar ainda mais.”
Na Rota da Água
O Governo de São Paulo acompanha os avanços no saneamento por meio do Na Rota da Água. A iniciativa dá mais visibilidade às obras de segurança hídrica, reforço de abastecimento e universalização do saneamento nas cidades atendidas pela companhia.
O programa prevê uma série de entregas e visitas técnicas a mais de 1,1 mil frentes de obras em andamento nos municípios contemplados pelo novo contrato da Sabesp.
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Entre as entregas já realizadas, estão obras de saneamento em Itapecerica da Serra, Embu das Artes e Embu-Guaçu. Além disso, há duas novas Estações de Tratamento de Esgoto em Caieiras e Franco da Rocha e um Sistema de Expansão de Esgotamento Sanitário que também contempla Francisco Morato, na Grande São Paulo.
IntegraTietê amplia capacidade de tratamento de esgoto
Outro destaque do ciclo de investimentos é o programa IntegraTietê. Dentro da iniciativa, foi contratada a expansão e o retrofit da Estação de Tratamento de Esgoto de Barueri, a maior da América Latina, com investimento de R$ 5,7 bilhões. A conclusão da obra está prevista para o fim de 2029. Quando finalizado, o projeto ampliará em 40,6% a capacidade de tratamento da estação e beneficiará cerca de 4 milhões de pessoas com acesso ao serviço.
Universalização antecipada e impacto social
A principal meta estabelecida após a desestatização da Sabesp é antecipar a universalização do saneamento básico de 2033 para 2029. A iniciativa busca garantir que toda a população atendida pela companhia tenha acesso aos serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto quatro anos antes do prazo previsto pelo Novo Marco Legal do Saneamento.
Além da expansão da infraestrutura, os investimentos também têm reflexos na inclusão da população mais vulnerável. A Tarifa Social Paulista, programa do Governo de São Paulo que dá desconto na conta de água para famílias mais pobres, alcançou o recorde de 6 milhões de pessoas beneficiadas.
A ampliação do número de beneficiários é resultado da busca ativa e da inclusão de famílias que têm direito ao desconto, mas que ainda não acessavam a tarifa reduzida, e também às novas regras do contrato de concessão da Sabesp, que dobraram o alcance do programa.
O programa foi estruturado em categorias que chegam a conceder até 78% de abatimento. As faixas incluem a Vulnerável (renda per capita de até um quarto do salário mínimo), a Social I e a Social II (para núcleos informais passíveis de regularização). A adesão também tornou-se automática para quem possui dados atualizados no CadÚnico e para beneficiários do BPC (Benefício de Prestação Continuada)
Atualmente, a Sabesp é responsável pelo fornecimento de água e pelos serviços de coleta e tratamento de esgoto em 376 municípios paulistas, atendendo aproximadamente 28 milhões de habitantes. Com a aceleração dos investimentos, a companhia busca ampliar a cobertura dos serviços e antecipar a universalização do saneamento no estado até 2029.
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