Governo lança nesta terça o programa Brasil Contra o Crime Organizado, com investimentos de R$ 11 bilhões

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A semana que se inicia sob os reflexos do Dia das Mães será marcada por um dos anúncios mais ambiciosos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no campo da segurança pública. Nesta terça-feira, 12 de maio, o Palácio do Planalto será palco do lançamento formal do programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, uma iniciativa estruturada em seis eixos de atuação e sustentada por um aporte total de R$ 11,1 bilhões, dos quais R$ 1 bilhão provém do Orçamento Geral da União e os demais R$ 10 bilhões serão disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mediante adesão dos estados e municípios ao programa.

O evento de lançamento contará com a presença do presidente Lula, do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, e de representantes dos governos estaduais, reforçando o caráter federativo da iniciativa. Os estados que desejarem acessar os recursos do BNDES precisarão firmar termos de adesão ao programa, comprometendo-se com metas e condicionalidades definidas pelo governo federal, modelo que busca compatibilizar a autonomia dos entes federativos com a necessidade de uma resposta coordenada e integrada ao avanço das organizações criminosas pelo território nacional.

Os seis eixos estratégicos do programa abrangem dimensões que vão do combate direto ao tráfico de armas ao desmantelamento das bases financeiras das facções criminosas, passando pelo fortalecimento do controle sobre os presídios, espaços que, no diagnóstico do governo, funcionam sistematicamente como centrais de comando de organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Um dos objetivos centrais é impedir que líderes de facções em cumprimento de pena continuem a comandar operações criminosas nas ruas, fenômeno que demanda tanto a implantação de soluções tecnológicas de bloqueio de comunicações nas unidades prisionais quanto uma reformulação dos critérios de gestão penitenciária nos estados.

O plano prevê ainda a criação de uma rede nacional de enfrentamento ao tráfico de armas, dotada de recursos estimados em R$ 1 bilhão, e o fortalecimento do Sistema Nacional de Armas (Sinarm), com vistas a rastrear com maior eficiência a circulação de armamentos ilegais que abastecem grupos criminosos em todo o país. O reconhecimento, neste contexto, da relação direta entre a proliferação de armas de fogo e as taxas de homicídios dolosos em regiões metropolitanas representa um avanço analítico relevante na abordagem governamental.

A dimensão financeira da criminalidade organizada, com frequência relegada a segundo plano em políticas de segurança pública, ocupa posição central nesta iniciativa. O programa prevê ações coordenadas entre o Ministério da Justiça, a Receita Federal, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e as polícias estaduais para identificar, rastrear e confiscar patrimônios oriundos de atividades ilícitas. A lógica subjacente é a de que facções criminosas somente perdem seu poder de recrutamento, corrupção e violência quando têm sua estrutura econômica efetivamente desmontada, o que exige instrumentos jurídicos, investigativos e operacionais que transcendem o modelo convencional de policiamento ostensivo.

O contexto em que o programa é lançado confere à iniciativa uma dimensão política adicional. O presidente Lula tem sido alvo de críticas crescentes da oposição e de setores da opinião pública pela percepção de omissão do governo federal diante do avanço das facções criminosas em estados do Nordeste, do Sudeste e do Norte do país. O lançamento de um plano deste porte, com financiamento robusto e alcance nacional, representa um esforço de reposicionamento político do governo no terreno sensível da segurança pública, área historicamente disputada com o campo conservador e que tende a ganhar ainda mais centralidade no debate público à medida que as eleições de outubro de 2026 se aproximam.

O SP Notícias acompanhará os detalhes e os desdobramentos do programa “Brasil Contra o Crime Organizado” com o rigor e a profundidade que o tema exige. Leia todas as nossas reportagens sobre segurança pública, política e governança em nosso portal.

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Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
SP Notícias – Intellectus ex Veritate

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