O ministro Gilmar Mendes, decano do STF (Supremo Tribunal Federal), elogiou nesta terça-feira (25) o advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado recentemente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ocupar uma cadeira no Supremo.
Gilmar enfatizou que Messias é “extremamente capaz de dialogar com as instituições” e ressaltou o papel da AGU (Advocacia-Geral da União) no manejo da crise diplomática com os Estados Unidos, provocada pelo tarifaço imposto a produtos brasileiros pelo governo de Donald Trump.
“O que eu tenho dito é que Jorge Messias tem se revelado um advogado-geral extremamente diligente e extremamente capaz de dialogar com as instituições. Nessa crise que passamos com os Estados Unidos e em todo esse contexto, talvez ele tenha sido o interlocutor mais pronto por parte do governo”, disse Gilmar durante evento em Roma, na Itália.
O nome de Messias para substituir Luís Roberto Barroso, que deixou o STF antecipadamente, foi escolhido por Lula na última semana.
Para assumir o cargo de ministro da Suprema Corte, Messias ainda deve ser sabatinado pela CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado, além de ter seu nome chancelado por ao menos 41 senadores no plenário da Casa.
Na segunda-feira (24), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou em nota que a sabatina de Messias ocorrerá no “momento oportuno”. Ainda de acordo com Alcolumbre, “cada Poder da República atua dentro de suas próprias atribuições, preservando o equilíbrio institucional e o respeito aos ritos constitucionais”.
A manifestação do presidente do Senado ocorreu horas após Messias divulgar um comunicado pregando diálogo com o Senado.
Quem é Jorge Messias
Formado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco, Messias construiu uma trajetória marcada pela atuação técnica e pela proximidade com o núcleo político do PT.
Foi consultor jurídico dos Ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia entre 2011 e 2012. Assumiu o cargo de subchefe para assuntos jurídicos da Casa Civil em 2015, durante o governo de Dilma Rousseff.
Messias ganhou projeção nacional naquele ano, quando foi mencionado por Dilma em um telefonema com Lula grampeado pela Operação Lava Jato.
No telefonema, a então presidente dizia que o “Bessias” entregaria um termo que permitiria ao petista assumir o Ministério da Casa Civil, episódio que o tornou figura conhecida do público e símbolo de lealdade ao grupo político de Lula e Dilma.
Com o retorno de Lula ao poder, Messias foi chamado para coordenar a equipe jurídica do governo de transição, no fim de 2022, ainda como procurador da Fazenda.
No ano seguinte, assumiu a AGU, de onde comandou a defesa dos interesses do governo junto à Justiça e consolidou uma reputação de discrição e competência técnica.
Sua boa relação com ministros do Supremo, somada à confiança do presidente e ao perfil evangélico, contribuíram para a escolha de Messias ao STF.
No ano passado, ele participou de uma série de vídeos da Fundação Perseu Abramo sobre “o que pensam os evangélicos petistas”, um gesto interpretado como tentativa de aproximar o partido de um eleitorado historicamente conservador.
*Sob supervisão de Renata Souza