Estudantes de três estados apresentam projetos de robótica em festival nacional

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Mais de 80 alunos de unidades do Marista Brasil participarão, nos dias 4 e 5 de novembro, do Festival Marista de Robótica, em Belo Horizonte. Entre as propostas estão uma lixeira que usa inteligência artificial para identificar resíduos, um sistema de alerta para áreas sujeitas a deslizamentos e soluções para reduzir os impactos de enchentes.

A 19ª edição do evento será realizada na Arena Hall e deve reunir mais de 2 mil estudantes de diferentes regiões do país. Com o tema “Cidades Fraternas”, o festival propõe que os participantes desenvolvam ideias relacionadas a desafios urbanos, como sustentabilidade, segurança, inclusão e gestão de resíduos.

As equipes da Regional São Paulo do Marista Brasil vêm de unidades localizadas nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná. A programação combina robótica, programação, inteligência artificial e trabalho colaborativo em projetos apresentados em diferentes modalidades. Algumas atividades ocorrerão presencialmente, enquanto grupos de crianças participarão on-line.

Na capital paulista, oito estudantes do Colégio Marista Glória, no Cambuci, desenvolveram dois projetos. Um deles é uma lixeira inteligente que utiliza uma câmera e inteligência artificial para reconhecer diferentes tipos de resíduos e encaminhá-los ao compartimento correspondente. A proposta foi reformulada durante o desenvolvimento: inicialmente, a equipe pretendia utilizar sensores, mas optou por incorporar reconhecimento de imagens.

 

O projeto surgiu nas atividades da Formação Interdisciplinar Optativa (FIO) de STEAM e Robótica. A sigla STEAM reúne áreas como ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática, integradas em atividades práticas. No caso da lixeira, os estudantes buscaram aplicar programação e automação a questões de sustentabilidade e consumo responsável.

A outra equipe do Colégio Marista Glória trabalha em um sistema de alerta para áreas sujeitas a deslizamentos. A proposta pretende identificar condições de risco e emitir avisos preventivos, com atenção especial a regiões onde há moradias vulneráveis. O projeto ainda é apresentado como uma solução em desenvolvimento, não como um sistema já implantado ou validado para uso operacional.

Rafaela Meneghel, estudante da 2ª série do Ensino Médio e integrante de uma das equipes, relata que o trabalho lhe permitiu conhecer sensores e programação. “É muito gratificante identificar um problema social e pensar no que podemos fazer para melhorá-lo, trabalhando também a empatia e os valores maristas que estão presentes na escola”, afirma.

O professor de Ciências e da FIO Wagner Gonçalves diz que a proposta pedagógica é colocar os estudantes diante de problemas concretos para que possam conceber, testar e ajustar soluções. Segundo ele, o objetivo não se limita ao aprendizado de programação ou eletrônica, mas inclui o desenvolvimento de autonomia e raciocínio aplicado a desafios sociais e ambientais.

Também em São Paulo, o Colégio Marista Arquidiocesano, na Vila Mariana, participa com 27 estudantes dos Anos Finais do Ensino Fundamental, distribuídos em seis equipes nas categorias Incubando Ideias e Destrava Mentes. Entre os projetos inscritos estão “Hydro Clean”, “SaltFlow Energy”, “Animals on Earth”, “Kind Plate” e “Safe Steps”. As propostas foram desenvolvidas com orientação da professora Thrícia Sismotto Flores Young e apoio do Departamento de Tecnologia da unidade.

A escola também participará a distância com uma turma do Infantil 5 A, responsável pelo projeto “Pequenos Inventores do Bem”, na modalidade Cidade Laboratório. Inspiradas pelo livro “Da Minha Janela”, de Otávio Júnior, as crianças construíram uma maquete de uma comunidade com espaços destinados à moradia, educação, saúde, lazer e segurança. O processo envolveu as famílias, a escolha coletiva das propostas e a arrecadação de brinquedos para doação à CCA Bandeirantes e Universal.

Em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, o Colégio Marista Alexander Fleming estreia no festival com uma equipe de três estudantes. Na categoria Iniciante do Desafio de Robôs, o grupo utiliza o equipamento AIKIRO, da RoboRobo, e a metodologia RoboMind para aprender conceitos de robótica por meio de montagem, programação e testes.

No Paraná, o Colégio Marista Maringá participa com 23 estudantes, enquanto a Escola Social Marista Irmão Acácio, em Londrina, leva quatro. Já no interior paulista, 17 crianças do 1º e 2º anos do Ensino Fundamental do Colégio Marista Adamantina apresentam on-line “Caminhos da Água para uma Cidade Fraterna”.

Na modalidade Cidade Laboratório, a equipe RoboMakers desenvolve uma maquete com calçadas permeáveis, sistemas de escoamento, áreas verdes e uma árvore solar. A proposta busca representar alternativas para reduzir os impactos de enchentes no município. As próprias crianças apresentarão o problema identificado e demonstrarão as soluções criadas. A unidade já havia recebido o prêmio de Impacto Social no festival de 2025, conforme as informações divulgadas pela organização.

Criado em 2008, o Festival Marista de Robótica conta com quatro modalidades: Cidade Laboratório, Destrava Mentes, Incubando Ideias e Desafio de Robôs. As atividades vão da elaboração de propostas para problemas cotidianos à construção e programação de robôs para cumprir missões. A participação de estudantes de diferentes idades e contextos educacionais torna o encontro também um espaço de troca de experiências e apresentação de projetos.

Serviço — Festival Marista de Robótica 2026
Quando: quarta-feira (4) e quinta-feira (5) de novembro de 2026
Onde: Arena Hall – Av. Nossa Senhora do Carmo, 230, Belo Horizonte (MG)
Entrada: gratuita e aberta ao público

 

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