Dirigido por Walther Neto, longa acompanha a relação entre mãe e filha diante de um diagnóstico terminal e aborda dilemas ligados às decisões no fim da vida
O longa-metragem “Deixe-me viver” estreia nos cinemas brasileiros em 12 de novembro. Dirigido por Walther Neto e protagonizado por Mônica Carvalho, Cat Dantas e Humberto Martins, o filme acompanha a aproximação entre uma mãe e sua filha adolescente após a jovem receber o diagnóstico de um câncer terminal. A narrativa se passa em parte em Trancoso, no sul da Bahia, e propõe reflexões sobre vínculos familiares, finitude e decisões relacionadas aos cuidados no fim da vida.
A produção teve passagem pelo Marché du Film, realizado durante a 79ª edição do Festival de Cannes, e fez sua première mundial na 30ª edição do Inffinito Brazilian Film Festival, em Miami. Essas apresentações antecedem o lançamento comercial no Brasil, previsto para o próximo dia 12 de novembro.
Na trama, Andrea, personagem de Mônica Carvalho, é uma mãe dedicada ao trabalho, mas distante do cotidiano de Julia, sua filha de 14 anos, interpretada por Cat Dantas. Quando a adolescente recebe o diagnóstico de câncer terminal, decide interromper o tratamento e aproveitar o tempo que acredita lhe restar. Diante do pedido, Andrea parte com a filha para Trancoso, contrariando a opinião de médicos e familiares, numa viagem que altera a dinâmica entre as duas.
O filme acompanha a tentativa de reconstruir uma relação marcada pela distância. Na viagem, mãe e filha compartilham experiências que incluem o mar, o forró, a descoberta do primeiro amor e a celebração de uma festa de 15 anos. A história também incorpora referências à espiritualidade e à cultura do povo Pataxó, em passagens ambientadas na região. Esses episódios conduzem a narrativa para o terreno das memórias, dos afetos e das escolhas possíveis diante de uma situação-limite.
A questão da ortotanásia ocupa lugar central na proposta temática. Em termos gerais, o conceito se refere a permitir que a morte siga seu curso natural, evitando medidas desproporcionais ou o prolongamento artificial do processo de morrer, sem confundi-lo com a provocação deliberada da morte. A aplicação de decisões desse tipo depende de avaliação clínica, diálogo entre profissionais de saúde, paciente e responsáveis, além das normas éticas e legais pertinentes. No caso de uma paciente adolescente, a história também torna especialmente complexa a relação entre autonomia, proteção e participação familiar.
A premissa ficcional não deve ser tomada como orientação médica ou descrição automática de procedimentos legais. A interrupção de um tratamento, a recusa de uma intervenção e a ortotanásia são questões distintas, que dependem das circunstâncias clínicas e de decisões discutidas com equipes de saúde. Ao levar esses dilemas para a ficção, “Deixe-me viver” põe em foco as tensões entre o desejo da jovem, a responsabilidade da mãe e os limites da intervenção médica, sem que o material divulgado detalhe como cada aspecto será desenvolvido ao longo do filme.
O roteiro é assinado por Mônica Carvalho, Michele Muniz e Marcelo Corrêa, da Sala EME AO CUBO. Além dos protagonistas, o elenco reúne Roberta Rodrigues, Stephano Strand, Jeniffer Setti, Fernanda Arraes, Laura Proença, Michele Muniz, Wallison Figueiredo, Flávia Zaguini, Swara Sampaio, Manoela Pugsley, Jorge Mesquita, Cida Costa, Juju Covas, Tamara Weiss e Fernanda Gorini. Luciana Vendramini, Eduardo Silva, Daniela Albuquerque, Oscar Magrini e a cantora Gilmelândia participam em papéis especiais.
As filmagens ocorreram em Trancoso e em diferentes localidades do interior e da capital paulista, incluindo Campinas e Presidente Prudente. A trilha sonora original, assinada por Walther Neto e Maurício Domene, reúne sete canções e incorpora artistas locais. Entre elas estão “Me Deixe Viver”, de Marcos Fagner de Almeida Vieira; “Raio de Luz”, de Fabiana Sancon e Walther Neto; e “Voa Passarinha”, composta por João Pataxó, Carlos Odas e Walther Neto e interpretada por Roberta Ferreira Cunha. Esta última foi gravada na Aldeia Porto do Boi, em Caraíva, e inclui elementos ligados à língua e à identidade Pataxó.
A produção é da Yva Filmes, com coprodução de WN Produções, PRH-9 Produções, Marc Films e Krystal Films. O projeto tem apresentação do A.C.Camargo Cancer Center. A direção de fotografia também é de Walther Neto; Camila Possolo assina a direção de arte, e Elias Menezes, o figurino. A estreia nacional está marcada para 12 de novembro, mas os cinemas e horários devem ser consultados nas programações locais.
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