Crescimento de 1,6% expõe limite do modelo e pressiona agenda de reformas

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Enquanto a agenda policial ocupa o noticiário, a economia brasileira desperta, neste 16 de maio, sob a sombra de projeções externas pouco lisonjeiras. Tanto o Banco Mundial quanto o Fundo Monetário Internacional convergiram, em relatórios recentes, para uma estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto em 2026 de 1,6%, valor inferior às previsões do mercado e do próprio Ministério da Fazenda, que ainda trabalham com expansão acima de 2%.

Os organismos multilaterais apontam duas razões centrais para o rebaixamento: o alto endividamento das famílias, que limita a capacidade de consumo, e os impactos defasados da política monetária restritiva adotada para conter a inflação. Em outras palavras, a desaceleração que agora se materializa é, em parte, o preço da correção de excessos inflacionários anteriores, mas também evidencia fragilidades estruturais de uma economia que cresce pouco há mais de uma década.

O contraste entre a previsão internacional e o discurso doméstico de recuperação robusta impõe um teste de realidade à política econômica. O governo insiste em combinar responsabilidade fiscal com aumento de investimentos públicos e políticas sociais expansivas, mas enfrenta um quadro em que os juros reais permanecem entre os mais altos do mundo e a confiança do empresariado é moderada. Sem aumento consistente de produtividade – o que requer reformas profundas em educação, infraestrutura, ambiente de negócios e sistema tributário –, o país corre o risco de permanecer aprisionado numa trajetória de crescimento medíocre.

Para o cidadão comum, previsões de 1,6% de expansão significam, na prática, mercado de trabalho menos dinâmico, dificuldade de aumento real de salários e pressão permanente sobre o orçamento familiar. Em São Paulo, motor industrial e de serviços do país, esse quadro se traduz em adiamento de investimentos, contratações mais cautelosas e um ambiente em que a disputa por vagas qualificadas se torna ainda mais intensa.

Neste cenário, discursos fáceis – à esquerda ou à direita – que atribuem todos os males a um único fator (juros, gasto público ou tributação) soam insuficientes. O Brasil de 2026 precisa encarar o fato de que seu baixo crescimento é produto de uma combinação de escolhas políticas de longo prazo, omissões em infraestrutura e educação, e um sistema tributário que penaliza investimento produtivo e consumo de baixa renda. Reconhecer essa complexidade é o primeiro passo para superá-la.

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