Com ajuda da Interpol, polícia brasileira monitorava rotina de Deolane na Itália antes de prisão

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A prisão preventiva da influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra Santos marcou um dos episódios mais impactantes das recentes operações do combate ao crime organizado no Brasil. As investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo apontam que a influenciadora seria peça importante em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), maior facção criminosa do país.

Segundo as autoridades, Deolane teria sido utilizada como uma espécie de “caixa financeiro” da organização criminosa, movimentando milhões de reais por meio de contas pessoais e empresas suspeitas. A operação ganhou repercussão nacional após a revelação de que a rotina da influenciadora na Itália vinha sendo acompanhada em tempo real pela polícia brasileira com apoio da Interpol.

A influenciadora foi presa em um condomínio de luxo em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, sob suspeita de lavagem de dinheiro, associação ao tráfico de drogas e participação em organização criminosa.


Interpol acompanhou passos de Deolane Bezerra durante viagem à Itália

As autoridades brasileiras monitoraram cada movimentação de Deolane enquanto ela passava férias em Roma. A influenciadora permaneceu mais de 20 dias hospedada em uma região nobre da capital italiana, próxima à famosa Piazza di Spagna, conhecida pelos hotéis e apartamentos de alto padrão.

De acordo com informações da investigação, as diárias do imóvel ultrapassavam R$ 15 mil. Durante toda a estadia, Deolane publicou vídeos, fotos e registros da viagem em suas redes sociais, exibindo momentos de lazer, compras de luxo e passeios turísticos.

O que ela não imaginava era que agentes brasileiros já acompanhavam seus deslocamentos internacionais em cooperação com a Interpol. A polícia chegou a discutir a possibilidade de efetuar a prisão em território italiano. Entretanto, a influenciadora retornou ao Brasil pouco antes da deflagração da operação policial e acabou detida em São Paulo.

O monitoramento internacional reforçou a dimensão da investigação, considerada uma das mais sensíveis envolvendo influenciadores digitais e lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado.


Polícia aponta movimentação superior a R$ 27 milhões

Relatórios financeiros produzidos por peritos especializados identificaram uma intensa movimentação bancária envolvendo Deolane Bezerra. Segundo os investigadores, cerca de R$ 13,6 milhões passaram por suas contas pessoais entre os anos de 2018 e 2022.

Além disso, outras movimentações superiores a R$ 14 milhões teriam ocorrido por meio de três empresas registradas em nome da influenciadora.

Para o Ministério Público, os valores possuem origem considerada incompatível com as atividades profissionais declaradas oficialmente. Os investigadores afirmam que praticamente não foram encontrados registros relevantes de contratos publicitários ou receitas comerciais que justificassem os depósitos milionários identificados nas contas analisadas.

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya afirmou que organizações criminosas utilizam pessoas com grande alcance nas redes sociais para pulverizar recursos ilícitos e dificultar o rastreamento do dinheiro.

Segundo as autoridades, influenciadores digitais acabam servindo como mecanismo estratégico para dar aparência legal ao patrimônio obtido por meio do tráfico internacional de drogas e de outras atividades criminosas.


Empresas fantasmas e endereços suspeitos chamaram atenção da polícia

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a existência de empresas registradas em nome de Deolane Bezerra em cidades do interior paulista próximas ao presídio de Presidente Venceslau, unidade conhecida por abrigar lideranças históricas do PCC.

As apurações apontam que algumas dessas empresas funcionariam apenas formalmente, sem atividade operacional concreta. Em determinados endereços, dezenas de firmas estavam registradas simultaneamente, característica frequentemente associada à existência de empresas de fachada.

A polícia acredita que essas estruturas empresariais eram utilizadas para ocultar a origem do dinheiro e promover operações financeiras simuladas.

A suspeita é de que o esquema envolvesse notas fiscais frias, transferências pulverizadas e circulação artificial de recursos para mascarar a origem ilícita dos valores.


Investigação começou após apreensão de bilhetes em presídio

A operação que culminou na prisão de Deolane teve origem em uma investigação iniciada ainda em 2019. Na ocasião, autoridades apreenderam bilhetes manuscritos dentro de uma cela na penitenciária de Presidente Venceslau.

As mensagens continham orientações atribuídas às principais lideranças do PCC, incluindo Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e Alejandro Camacho Júnior, o Marcolinha.

A partir dessas informações, os investigadores chegaram até uma transportadora localizada nas proximidades do presídio. Segundo a polícia, a empresa era utilizada para lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de cocaína.

Em dezembro de 2021, uma operação policial apreendeu celulares na residência de Ciro César Lemos e de sua esposa, apontados formalmente como proprietários da transportadora.

As mensagens encontradas nos aparelhos celulares revelaram diálogos considerados comprometedores pelas autoridades. Em várias conversas, Ciro mencionava diretamente relações com integrantes da família Camacho.


Filha de Marcolinha teria orientado repasses financeiros

As investigações também identificaram suposta participação de familiares ligados à cúpula do PCC no esquema financeiro.

Segundo os relatórios policiais, em março de 2021, Paloma Camacho — filha de Marcolinha — teria orientado diretamente como deveriam ser feitos os repasses de dinheiro provenientes das operações da transportadora investigada.

A polícia afirma que o esquema era conduzido por um casal de “laranjas” responsável por intermediar as movimentações financeiras e manter contato com Everton de Souza, conhecido pelo apelido de “Player”.

Everton é apontado como um dos principais gestores financeiros da facção em liberdade e teria atuado diretamente na coordenação do fluxo de recursos ilícitos.

As autoridades acreditam que o grupo utilizava empresas de fachada e contas bancárias de terceiros para ocultar a origem dos valores ligados ao tráfico de drogas.


Defesa de Deolane nega ligação com o crime organizado

A defesa da influenciadora rebate todas as acusações apresentadas pelas autoridades. O advogado Aury Lopes Jr. afirmou que Deolane Bezerra não possui qualquer vínculo com organizações criminosas nem conhecimento sobre as atividades da transportadora investigada.

Durante audiência de custódia, Deolane declarou que os valores recebidos correspondiam a pagamentos legítimos por serviços prestados durante o período em que atuava na advocacia criminal.

Os advogados sustentam que todos os rendimentos da influenciadora são declarados oficialmente e possuem justificativa legal.

Já a defesa de Marcola contestou a inclusão do nome do líder da facção nas investigações, alegando ausência de provas concretas que demonstrem participação direta na estrutura financeira apurada.

Os representantes de Paloma e Leonardo Camacho também afirmaram que irão demonstrar a inocência dos investigados ao longo do processo judicial.


Caso Deolane Bezerra amplia cerco contra influenciadores investigados

A operação contra Deolane Bezerra reforça uma nova estratégia das forças de segurança no combate à lavagem de dinheiro promovida por facções criminosas.

Nos últimos anos, investigadores passaram a concentrar esforços em rastrear movimentações financeiras de pessoas públicas e influenciadores digitais suspeitos de atuar como intermediários financeiros de organizações criminosas.

O uso de empresas, publicidade digital, eventos e contratos simulados tornou-se um dos mecanismos mais utilizados para inserir dinheiro ilícito no sistema financeiro formal.

Especialistas apontam que a popularidade nas redes sociais permite movimentações milionárias com menor nível de suspeita inicial, dificultando a identificação imediata pelas autoridades.

Por esse motivo, operações recentes têm intensificado a cooperação internacional, monitoramento digital e cruzamento de dados bancários para identificar estruturas de ocultação patrimonial.


Prisão de Deolane Bezerra repercute nacionalmente

A prisão da influenciadora gerou enorme repercussão nas redes sociais, programas de televisão e veículos de comunicação em todo o país.

Com milhões de seguidores, Deolane construiu uma carreira marcada por grande exposição midiática, ostentação de luxo e forte presença digital. A investigação envolvendo seu nome elevou ainda mais a atenção pública sobre o caso.

Após a prisão, Deolane Bezerra foi transferida para o presídio feminino de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, onde permanece à disposição da Justiça.

Enquanto as investigações continuam, a polícia busca aprofundar o rastreamento financeiro para identificar outros possíveis envolvidos no esquema milionário atribuído à facção criminosa.

O caso segue em andamento e pode revelar novos desdobramentos sobre a estrutura financeira utilizada pelo PCC para movimentar recursos provenientes do tráfico internacional de drogas e outras atividades ilícitas.


Conclusão

A investigação que levou à prisão de Deolane Bezerra representa um dos episódios mais complexos envolvendo celebridades digitais, lavagem de dinheiro e crime organizado no Brasil. O monitoramento internacional com apoio da Interpol, a movimentação milionária identificada nas contas da influenciadora e as conexões apontadas pela polícia com integrantes do PCC transformaram o caso em uma das operações mais comentadas do país.

As autoridades seguem aprofundando as apurações para esclarecer o alcance do suposto esquema financeiro e identificar todos os envolvidos. Enquanto isso, a defesa da influenciadora mantém a posição de que Deolane é inocente e provará judicialmente a legalidade de seu patrimônio e de suas atividades profissionais.

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