Às 15 horas desta segunda-feira, 18 de maio de 2026, o técnico Carlo Ancelotti anunciou a lista dos convocados da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, no México e no Canadá entre junho e julho deste ano. O momento que o futebol brasileiro esperava com uma mistura de esperança e apreensão que raramente coexiste com tanta intensidade numa mesma convocação finalmente chegou: Neymar da Silva Santos Júnior está na lista. O atacante do Santos Futebol Clube, que voltou ao clube de sua formação em 2025 após os conturbados anos no Al-Hilal e os longos períodos de recuperação das lesões que devastaram o trecho final de sua carreira europeia, retorna ao escudo da seleção nacional para disputar o que será, com toda probabilidade, sua última Copa do Mundo. Aos 34 anos, num corpo que carrega as marcas de cirurgias no tornozelo e no joelho, Neymar representa simultaneamente a maior atração comercial e simbólica que o Brasil pode apresentar ao mundo e o maior ponto de interrogação tático que Dorival precisará administrar ao longo de um torneio em que a margem para apostas sentimentais é inversamente proporcional à ambição de conquistar o hexacampeonato.
A decisão de convocar Neymar não foi tomada no vácuo. O atacante, em sua segunda passagem pelo Santos, marcou sete gols e deu dez assistências nas últimas 18 partidas que disputou pelo clube antes do encerramento do período de observação da comissão técnica, números que demonstram que, em ritmo reduzido e criteriosamente gerenciado pelo departamento médico santista, Neymar ainda produz em nível que justifica a presença em uma Copa do Mundo. O que ele não demonstrou, até aqui, é a capacidade de manter esse nível de produção ao longo de cinco ou seis partidas em sequência, num torneio eliminatório em que uma noite ruim pode encerrar quatro anos de preparação. É essa a equação que Dorival precisará resolver: como usar Neymar de forma que ele contribua quando está bem sem que a dependência de seu desempenho torne o Brasil vulnerável quando não estiver.
A seleção convocada para a Copa tem, além de Neymar, um conjunto de jogadores que reflete o momento de transição geracional que o futebol brasileiro atravessa. Vinicius Júnior, do Real Madrid, é o nome de maior nível técnico constante da atual geração, e sua relação com Neymar dentro de campo, seja de complementaridade ou de sobreposição, será um dos dilemas táticos mais fascinantes que o torneio produzirá. Rodrygo Goes, igualmente do Real Madrid, Raphinha, do Barcelona, e Endrick, que disputará sua primeira Copa do Mundo aos 19 anos, compõem um ataque de qualidade individual que não é inferior ao das edições de 1994 e 2002, as mais recentes a conquistar o título mundial. O desafio do Brasil, como sempre, não é a qualidade individual, que raramente esteve em dúvida: é a coesão coletiva, a solidez defensiva e a capacidade de manter o nível máximo de desempenho sob a pressão crescente que os jogos eliminatórios impõem a partir das oitavas de final.
O contexto político da convocação de Neymar não passou despercebido ao campo bolsonarista, que nas últimas horas reagiu com ironia e questionamentos ao retorno do atacante à seleção. A relação entre Neymar e o campo conservador nunca foi simples: o jogador apoiou Bolsonaro nas eleições de 2022, mas manteve distância prudente das disputas mais radicais do período pós-eleitoral, e seu retorno ao Santos, clube com base de torcida diversificada, o recolocou em uma posição de ambiguidade política que o futebol eventualmente permite e que a política raramente tolera. A reação conservadora à convocação, que em outros tempos celebraria o retorno de seu ídolo à camisa canarinha, revela a extensão em que a polarização brasileira contaminou até mesmo a leitura de uma lista de convocados.
Para a seleção, o que importa é o campo. O Brasil chega à Copa de 2026 como uma das cinco favoritas ao título, ao lado de Argentina, França, Inglaterra e Espanha, e com a pressão histórica de encerrar um jejum que dura desde o pentacampeonato de 2002. O que Neymar, Vinicius e Carlo Ancelotti farão com essa expectativa, nas próximas semanas, é a pergunta que unirá o Brasil numa forma de ansiedade coletiva que, por alguns meses, talvez seja mais intensa do que qualquer crise política que o noticiário diário tem produzido.
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