“Os 12 signos de Valentina” ganha adaptação e chega a Portugal

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Publicado em 2017, romance de Ray Tavares combina humor, astrologia e amadurecimento; direitos da obra foram negociados com selo português da Penguin Random House

Antes de ser adaptado para a Netflix, “Os 12 signos de Valentina” já havia conquistado leitores com uma trama que mistura romance, humor, astrologia e referências à vida em São Paulo. Publicado pela Galera Record em 2017, o livro de Ray Tavares acompanha Isadora, estudante de jornalismo da Universidade de São Paulo (USP), que decide investigar os signos depois de descobrir que o namorado de seis anos a traiu com uma amiga.

A partir do término, Isadora tenta encontrar uma explicação para o fracasso da relação. A hipótese que escolhe é astrológica: talvez os signos ajudem a compreender a incompatibilidade amorosa. Com a ajuda da prima Marina, ela cria o blog “Os 12 signos de Valentina” e passa a relatar encontros com homens de diferentes signos, na busca por uma combinação que pareça ideal.

A experiência também se torna uma espécie de exercício jornalístico. Isadora observa, registra e interpreta cada encontro, transformando situações cotidianas em episódios de uma investigação sentimental. O projeto, no entanto, nem sempre segue o roteiro que ela imagina. Entre expectativas, constrangimentos e descobertas, a personagem percebe que a vida afetiva é menos previsível do que qualquer classificação pode sugerir.

O zodíaco serve como motor cômico e estrutura para a narrativa, mas a história não se limita à procura por um par compatível. Sob a brincadeira dos encontros, o livro aborda a reconstrução da autoestima depois de uma separação, a importância das amizades e o processo de construir uma identidade que não dependa de um relacionamento. A jornada de Isadora começa com a tentativa de entender por que foi traída, mas gradualmente se desloca para uma pergunta mais ampla: quem ela é quando deixa de se definir como parte de um casal?

A primeira pessoa aproxima o leitor das contradições da protagonista. Impulsiva e bem-humorada, Isadora narra os acontecimentos a partir de uma perspectiva íntima, na qual frustração, ironia e esperança podem coexistir. O tom leve não elimina o desconforto da perda, mas permite que a personagem encare as próprias escolhas sem transformar a narrativa em um relato solene sobre o fim de uma relação.

A ambientação paulistana também distingue o romance. Em vez de recorrer a uma cidade estrangeira como cenário, Tavares coloca a protagonista em espaços e situações familiares a muitos jovens adultos: universidade, transporte público, festas, redes sociais e encontros atravessados pela vida urbana. São Paulo não aparece apenas como pano de fundo; a cidade compõe o ritmo e o repertório da experiência de Isadora.

A adaptação para a Netflix leva a história a outro formato e, segundo as informações divulgadas sobre o projeto, atualiza a maneira como a protagonista compartilha suas experiências. No lugar do blog presente no livro, a série terá um videocast. A mudança aproxima a trama dos hábitos contemporâneos de produção de conteúdo, preservando a premissa central: uma jovem de coração partido tenta buscar respostas para a vida amorosa por meio dos signos.

Ray Tavares participa da adaptação como roteirista ao lado de Bia Crespo. O projeto também anunciou Giovanna Grigio no papel principal. As informações fornecidas situam a produção na programação da Netflix, mas não indicam uma data específica de estreia. Assim, a previsão de lançamento em 2026 deve ser confirmada nos canais oficiais da plataforma.

O livro também prepara sua chegada ao mercado português. Os direitos de publicação foram negociados com a Secret Society, selo jovem da Penguin Random House liderado por Rodrigo Manhita. De acordo com os dados divulgados, a edição está prevista para 19 de janeiro de 2027. A publicação em Portugal amplia o alcance da obra para além do público brasileiro, mantendo a história de Isadora como porta de entrada para temas reconhecíveis em diferentes contextos: desilusão amorosa, amizade e autoconhecimento.

Autora, tradutora e roteirista, Ray Tavares publicou, além de “Os 12 signos de Valentina”, os livros “Confidências de uma ex-popular”, “Carta aos astros”, “As vantagens de ser você” e “O roteiro do amor”, além de participar de antologias. No audiovisual, trabalhou em produções como “De volta aos 15”, da Netflix, “Acampamento de magia para jovens bruxos”, do Globoplay, e “Bugados”, do Gloob.

Quase uma década após a publicação, “Os 12 signos de Valentina” chega a novas etapas de circulação: a adaptação audiovisual e a edição portuguesa. O interesse duradouro do romance está menos em oferecer uma fórmula para encontrar o par ideal do que em acompanhar uma personagem que, ao tentar decifrar os outros, acaba confrontada com a própria necessidade de amadurecer. Na aventura de Isadora, os signos organizam os encontros; são as escolhas, os vínculos e a reconstrução da autoestima que conduzem a história.

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