11 países convocam embaixadores israelenses após vídeo de ministro maltratando ativistas da flotilha de Gaza

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Onze países, entre eles oito nações europeias, convocaram nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026, seus respectivos embaixadores e representantes de Israel para uma reprimenda formal após a divulgação de um vídeo em que o ministro de Segurança Nacional israelense, Itamar Ben-Gvir, aparece supervisionando e ridicularizando ativistas da Flotilha Global Sumud, detidos em águas internacionais por forças militares israelenses. O vídeo, postado pelo próprio ministro em redes sociais, mostra os ativistas com mãos atadas e forçados a se ajoelhar, gerando indignação em múltiplas capitais e acendendo um debate urgente sobre os limites da conduta de Israel no conflito de Gaza e nas operações que orbitam em torno dele.

A Flotilha Global Sumud havia partido com o objetivo declarado de romper o bloqueio israelense à Faixa de Gaza e entregar ajuda humanitária à população civil. O bloqueio marítimo imposto por Israel tem sido alvo de crescentes críticas internacionais, especialmente diante das denúncias de crise humanitária catastrófica no enclave palestino. A agência da ONU para refugiados palestinos reportou, nesta mesma data, mais de 125.000 casos de infecções de pele associadas a ratos e parasitas na Faixa de Gaza apenas nos primeiros cinco meses de 2026, com equipes médicas tratando cerca de 400 casos por dia em condições de suprimentos severamente limitados.

A reação europeia foi rápida. Dezenas de parlamentares do Parlamento Europeu assinaram petição exigindo sanções individuais contra Ben-Gvir e outros oficiais israelenses considerados responsáveis pelo tratamento dispensado aos ativistas. O primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, pediu ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, que o tratamento de cidadãos europeus detidos na flotilha seja incluído na agenda da próxima cúpula da União Europeia. A questão coloca em evidência a tensão crescente entre a solidariedade histórica de parte da Europa com Israel e a pressão da opinião pública pelo cumprimento do direito internacional humanitário.aa

O episódio acrescenta combustível a um incêndio diplomático que já ardeu forte ao longo dos meses anteriores. O conflito em Gaza, desencadeado em outubro de 2023, deixou devastação de proporções históricas e colocou Israel em posição de isolamento crescente em fóruns multilaterais. A detenção de ativistas estrangeiros em alto-mar por forças militares de qualquer Estado representa, em si, um tema juridicamente controvertido, que envolve disputas sobre o direito do mar, a liberdade de navegação e a legalidade dos bloqueios navais sob o direito internacional.

A decisão de Ben-Gvir de publicar o vídeo nas redes sociais, longe de ser um lapso impulsivo, parece ter sido deliberada. O ministro, que integra a ala mais radical do governo Netanyahu, tem adotado postura provocativa de forma consistente tanto em relação aos palestinos quanto em relação à comunidade internacional. Sua presença no gabinete israelense é ela mesma objeto de controvérsia profunda, com críticos apontando que suas posições bordeiam a incitação ao ódio e que sua conduta compromete a credibilidade internacional do Estado de Israel.

Leia a cobertura completa dos conflitos internacionais e da crise humanitária em Gaza no SP Notícias.

SP Notícias – Intellectus ex Veritate

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