Enquanto Lula e Flávio Bolsonaro medem forças nas pesquisas e Joaquim Barbosa tenta se credenciar como alternativa, uma questão atravessa silenciosamente todos os projetos presidenciais: como conciliar promessas de campanha com a necessidade, amplamente reconhecida por analistas, de disciplina fiscal mais estável. A história recente mostra que a improvisação nessa seara cobra preço alto, seja em forma de inflação, seja em retração de investimentos.
O FMI e o Banco Mundial têm insistido que o Brasil dispõe, neste momento, de janela de oportunidade. A condição de exportador de energia, a matriz elétrica relativamente limpa e o potencial para atrair indústrias interessadas em descarbonização colocam o país em posição vantajosa na transição verde. Mas investidores deixam claro que essa vantagem pode ser desperdiçada se a política fiscal continuar a oscilar a cada governo, com metas alteradas e regras flexibilizadas ao sabor de coalizões de ocasião.
O Supremo Tribunal Federal, por sua vez, tem sido chamado repetidamente a arbitrar conflitos sobre teto de gastos, pisos constitucionais e uso de fundos públicos. Essa judicialização da política orçamentária, embora inevitável em algumas situações, também gera insegurança: decisões monocráticas e viradas de jurisprudência podem mudar, de um dia para o outro, o ambiente de negócios de setores inteiros. Assim, economia e justiça se entrelaçam de modo cada vez mais visível.
No dia 17 de maio de 2026, o país observa um cenário em que qualquer vencedor da eleição terá diante de si, já em janeiro, um dilema: ceder às pressões por expansão de gastos sem contrapartida, agradando bases sociais e parlamentares no curto prazo, ou enfrentar o custo político de medidas de ajuste gradual, com benefícios menos vistosos, porém mais duradouros. O eleitor, ao escolher seu candidato, faria bem em perguntar menos “quem me promete mais” e mais “quem tem plano factível para equilibrar contas sem mutilar políticas essenciais”.
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