Na interseção entre saúde, esporte e inclusão, o governo federal promove, entre 4 e 7 de maio, em Macaíba (RN), curso de capacitação para profissionais de educação física que atuam em Centros Especializados em Reabilitação (CER) do Sistema Único de Saúde. A formação integra o programa “Vencer pelo Esporte”, que pretende utilizar o paradesporto como ferramenta de reabilitação e inclusão para pessoas com deficiência em todas as regiões do país.
Embora o curso tenha ocorrido dias antes, seus desdobramentos começam a se projetar neste 16 de maio, quando os primeiros relatos dos participantes chegam às secretarias estaduais e municipais de saúde. A proposta é criar uma rede de tutores capazes de replicar, em suas regiões, metodologias que combinam treinamento físico, acompanhamento multiprofissional e promoção de autonomia.
Em um SUS pressionado por filas de cirurgias eletivas, doenças crônicas e alta demanda em saúde mental, a aposta no paradesporto pode parecer, à primeira vista, periférica. Na prática, contudo, trata‑se de política de alta relação custo‑benefício. A literatura em reabilitação mostra que a inserção de pessoas com deficiência em programas esportivos estruturados reduz internações, melhora indicadores de saúde mental e amplia a participação social, com impactos positivos sobre as famílias e comunidades.
Além disso, a formação em Macaíba dialoga com um imperativo de justiça territorial. CERs de doze estados participam da capacitação, o que indica uma tentativa de quebrar a concentração histórica de serviços especializados nas regiões Sul e Sudeste. Quando um profissional treinado volta para seu município de origem levando novas ferramentas, amplia‑se a chance de que uma criança em uma cidade do interior do Piauí ou do Acre tenha acesso, no posto local do SUS, a uma reabilitação mais qualificada.
Ao vincular Ministério da Saúde, Ministério do Esporte e Ministério da Educação, o programa explicita uma compreensão ampliada de saúde, que ultrapassa o consultório e se estende ao campo, à quadra e à piscina. Em tempos de contingenciamento orçamentário, esse tipo de iniciativa reflete uma tentativa de fazer mais com menos, apostando na transversalidade das políticas públicas.
SP Notícias – Intellectus ex Veritate