O Banco Central (BC) está de olho no fluxo de recursos do Bolsa Família direcionados para apostas online. A iniciativa busca evitar que os beneficiários utilizem os valores recebidos do programa social em jogos, garantindo que o auxílio seja empregado nas necessidades básicas das famílias.
Segundo informações divulgadas, o BC não terá acesso direto aos dados dos beneficiários, mas poderá realizar consultas pontuais para verificar se há depósitos de valores incompatíveis com a renda declarada. Essa medida visa proteger os recursos do programa e assegurar que sejam utilizados de forma responsável.
O Bolsa Família atualmente atende cerca de 19,2 milhões de famílias em todo o país, com um valor mínimo de R$ 600 por família, acrescido de adicionais que variam entre R$ 50 e R$ 150, dependendo do perfil dos dependentes. Já o Benefício de Prestação Continuada (BPC) é destinado a 3,75 milhões de pessoas com deficiência ou idosos de baixa renda, oferecendo um salário mínimo mensal.
O mercado de apostas e os números do setor
Dados do Ministério da Fazenda revelam que 17,7 milhões de brasileiros realizaram apostas online no primeiro semestre deste ano, com um valor médio de R$ 164 por apostador ativo por mês. Ao contrário do número citado pelo Banco Central, que chegou a mencionar até R$ 30 bilhões por mês, o governo estima um valor líquido bem menor.
De acordo com Dudena, o montante que efetivamente saiu do bolso dos apostadores gira em torno de R$ 2,9 bilhões mensais. Esse cálculo considera o total apostado menos os prêmios pagos, o chamado return to player (RTP), que gira em torno de 93%. Essa análise mais precisa permite uma visão mais clara do impacto real das apostas no orçamento dos brasileiros.
“Eles não receberão os dados, mas terão que consultar em determinados pontos, para garantir que esses beneficiários não possam depositar dinheiro” – disse Dudena ao g1.