8 pequenos momentos do dia que podem virar oportunidade de conexão com os filhos

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Neste Dia das Crianças, o melhor presente pode caber em poucos minutos: a psicóloga Deborah Dubner mostra como transformar momentos simples da rotina em microconexões que fortalecem o vínculo familiar

 

A vida cotidiana de muitas famílias tem sido marcada pela pressa, pelo excesso de tarefas e pela atenção constantemente disputada. Nesse ritmo, breves momentos de presença e conexão entre adultos e crianças podem passar despercebidos, atropelados pela urgência. Neste Dia das Crianças, a psicóloga Deborah Dubner, especialista em Psicologia Positiva e Neurociência, orienta como os pais podem criar condições para estabelecer microconexões com seus filhos no dia a dia, um presente que vai muito além da data. “Mais do que mudar rotinas, é possível transformar a qualidade da nossa presença no cotidiano”, ela explica.

A psicóloga americana Barbara Fredrickson, referência mundial no estudo das emoções positivas, propõe que o amor também pode ser vivido em micromomentos de conexão: breves experiências em que duas pessoas compartilham emoções positivas, entram em sintonia e demonstram cuidado mútuo.

Entre pais e filhos, esses momentos não dependem de grandes acontecimentos. Podem surgir numa troca de olhares, numa brincadeira, num abraço ou em poucos minutos de atenção verdadeira. Basta que o adulto deixe as distrações de lado por instantes e se torne disponível para escutar e responder à criança. Repetidas no dia a dia, essas pequenas experiências constroem proximidade, confiança e um repertório de lembranças positivas em família.

Para exercitar esse novo olhar, a psicóloga sugere prestar atenção às brechas que o próprio dia a dia oferece. Confira oito delas:

1) Quando a criança acorda: os primeiros minutos do dia podem ser nutridos, antes da engrenagem de horários e obrigações começar. Um pequeno abraço, um minuto de cafuné, uma escuta sobre um sonho.

2) Nos deslocamentos: carro, caminhada, ônibus, caminho da escola. O tempo do percurso pode abrir espaço para conversas, risadas e uma boa escuta, com interesse e abertura.

3) Quando chega da escola: podemos migrar da pergunta automática “como foi?” para observar e perceber como a criança chega. Nem sempre perguntar ou falar é o melhor caminho. Há dias em que a conexão pode acontecer através do acolhimento silencioso.

4) Quando o filho diz “olha!”: crianças nos chamam muitas vezes para compartilhar alguma coisa. Um desenho, uma descoberta, uma habilidade, algo que está vendo. No automatismo acelerado, pode parecer insignificante. Mas se olharmos com atenção, é um convite precioso para entrar em seu mundo e criar uma microconexão de amor.

5) Durante uma refeição: esses momentos podem ser tensos, focados apenas no que a criança come ou não. Sem contar as telinhas que invadem a mesa, ocupando um espaço nobre. Mas pode ser diferente! Criar um clima mais leve e acolhedor durante as refeições é um investimento na conexão familiar.

6) Nas pequenas tarefas da casa: cozinhar, guardar compras, arrumar alguma coisa, cuidar de um animal. Fazer junto também pode produzir conexão, sem que seja necessário inventar uma atividade especial. Além disso, a criança aprende que é gostoso ajudar.

7) Quando alguma coisa dá errado: frustração, choro, irritação, medo, raiva, vergonha. Essas emoções atravessam o cotidiano das crianças e fazem parte de um tecido familiar importante. É fundamental a criança perceber que pode ser acolhida, ainda que os comportamentos necessitem de limites. Mas mesmo situações difíceis podem abrir oportunidades para momentos de conexão e compreensão.

8) Antes de dormir: quando o ritmo diminui, a noite traz o cansaço, a quietude e a escuridão que permitem o brilho das estrelas. É um momento especial, no qual podem aparecer histórias, leitura acompanhada, perguntas, partilhas e temas que não encontraram lugar durante o dia.

Para Deborah, os pais não precisam de situações mirabolantes para se conectar aos filhos: a conexão depende menos de acrescentar coisas à rotina e mais de estar de outra maneira na vida que já acontece. Nem todo momento produzirá amor, mas é possível criar condições para que mais microconexões surjam. Neste Dia das Crianças, essa presença pode ser o melhor presente. “É simples, mas isso não quer dizer que seja fácil”, resume.

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